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Segurança26 de out. de 2026, 23:07

Hackers usam IA do Claude e do Grok para atacar mais de 400 bancos na América Latina

Um grupo criminoso automatizou ataques contra mais de 400 instituições financeiras da América Latina usando os assistentes de IA Claude e Grok, segundo investigação da empresa de cibersegurança Straiker. A Anthropic já bloqueou as credenciais usadas pelo grupo.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

Um grupo criminoso identificado como CyberCartel, ativo desde 2012, usou assistentes de inteligência artificial para automatizar ataques contra mais de 400 instituições financeiras da América Latina, incluindo bancos, fintechs e empresas de pagamento. A descoberta é de uma investigação da Straiker, empresa de cibersegurança especializada em riscos ligados a inteligência artificial, divulgada nesta semana.

Segundo o relatório, os criminosos combinaram um framework próprio, batizado de CARLIY0S, com agentes de IA rodando em paralelo: o Claude, assistente de IA da Anthropic, atuava como coordenador da operação dentro da ferramenta de programação Cursor, identificando falhas e escrevendo código para explorá-las; já o Grok, assistente de IA da xAI, era usado em várias instâncias dedicadas a coletar e organizar dados roubados. O modelo chinês Kimi, da Moonshot AI, também teria sido empregado. Para contornar as travas de segurança, os atacantes se apresentavam como pesquisadores acadêmicos ou profissionais autorizados a fazer testes de invasão; quando um modelo recusava o pedido, recorriam a outro sistema de IA ou a código malicioso pré-preparado.

Foto: reprodução/world-today-news.com

A Straiker afirma ter acessado, em 24 de setembro, uma cópia de um banco de dados comprometido, de uma empresa chamada FinancialSoft, com cerca de 4.500 registros expostos: e-mails, contas bancárias, chaves de API e senhas em texto simples. A investigação identificou ainda mais de 200 vulnerabilidades, algumas inéditas (zero-day), em infraestrutura financeira da região.

Quem é afetado

O relatório não divulgou os nomes das instituições atingidas nem detalhou país por país, mas aponta alvos distribuídos por toda a América Latina, com menção a sistemas de pagamento como o SPEI mexicano. Na prática, isso representa risco potencial para correntistas de bancos, usuários de fintechs e empresas que dependem dessas instituições para processar pagamentos.

A Anthropic confirmou que identificou e bloqueou as credenciais do Claude usadas pelo grupo. A xAI disse que está analisando o caso.

O que fazer agora

Enquanto o episódio é investigado, vale reforçar cuidados básicos contra fraude e vazamento de dados financeiros:

  • Ative alertas de login e movimentação em aplicativos bancários e de pagamento;
  • Troque senhas de contas financeiras e evite reutilizá-las em outros serviços;
  • Ative a autenticação em duas etapas sempre que o banco ou a fintech oferecer essa opção;
  • Monitore extratos e faturas com atenção redobrada nas próximas semanas;
  • Desconfie de contatos não solicitados pedindo confirmação de dados bancários, mesmo que pareçam vir do próprio banco.

Para as instituições, o caso reforça a importância de monitorar credenciais de API ligadas a serviços de IA e revisar controles contra abuso de agentes automatizados. O problema não está na existência das ferramentas de IA, mas no uso criminoso feito por terceiros que disfarçam pedidos maliciosos como testes legítimos de segurança.

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