
Harman lança caixas de até R$ 220 mil e mira o luxo no Brasil
A Harman trouxe a São Paulo a JBL Summit Series e a nova geração da Revel Performa4, com preços de R$ 15 mil a quase R$ 220 mil por par. A pergunta que fica: o salto de sofisticação justifica o tíquete?
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Uma aposta explícita no topo da pirâmide
A Harman, dona de marcas de áudio como JBL e Revel, reuniu convidados em São Paulo para apresentar sua investida mais clara no segmento de Luxury Audio no Brasil. Na pauta, duas famílias de produto: a JBL Summit Series e a nova geração da Revel Performa4. Nada de soundbar de sala de estar comum — são caixas passivas, sem amplificação embutida, que exigem equipamento externo e um projeto acústico dedicado. Para a demonstração, a marca montou duas salas de audição equipadas com eletrônicos da Arcam, uma para cada linha.
Os números que separam hobby de investimento
Foto: reprodução/eletrolarnews.com.br
Da JBL Summit Series, a Summit Ama — bookshelf de duas vias com woofer de 8 polegadas — sai por R$ 119.998 o par, já com pedestal incluso. Já a Summit Pumori, modelo de piso com três vias e woofer de 10 polegadas, é a mais cara do evento: R$ 219.998 o par. É o número que dá título à pauta e mostra o quão alto a Harman quer posicionar a marca no país.
Na Revel Performa4, os valores são mais palatáveis, mas ainda assim salgados: a torre F346, com três woofers de 6,5 polegadas, custa R$ 29.999 a unidade; a bookshelf M146 sai por R$ 23.999 o par; e o canal central C245, voltado a home theater, fica em R$ 15.999 o par.
O que muda de fato na nova Performa4
Aqui a especificação vira experiência: a nova geração da Performa4 chega com arquitetura acústica revista, drivers atualizados e a sétima geração do Revel Waveguide, tecnologia que a marca desenvolve há décadas para controlar com mais precisão a dispersão do som pelo ambiente. Na prática, é a diferença entre uma caixa que só toca alto e uma que projeta o som de forma previsível em qualquer ponto da sala — o tipo de detalhe que separa um sistema caro de um sistema de verdade caro.
Vale o preço no Brasil?
Segundo Rodrigo Kniest, vice-presidente sênior e diretor-geral de Lifestyle para a América do Sul na Harman, o público brasileiro está cada vez mais disposto a pagar por experiências de alto padrão — e ele já comparou publicamente uma caixa de som topo de linha a um carro de Fórmula 1: tecnologia que, com o tempo, escorre para os produtos de massa. É um argumento sedutor, mas que não resolve a conta imediata: R$ 220 mil por um par de caixas ainda é uma fração ínfima do público brasileiro, mesmo dentro do nicho audiófilo. A Harman está claramente testando o teto do mercado de áudio de luxo no país — resta saber se existe demanda suficiente para sustentar esse teto.