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Mercado15 de out. de 2026, 10:19

Helix Carbon promete baratear ferro reciclando poluição de alto-forno

Startup apresentada no TechCrunch Disrupt diz economizar US$ 14 por tonelada de ferro ao transformar CO2 de alto-forno de volta em monóxido de carbono reaproveitável.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 14 por tonelada é o número que a Helix Carbon quer vender

A Helix Carbon, startup que apresentou sua tecnologia na competição Startup Battlefield do TechCrunch Disrupt 2026, em San Francisco, promete economizar US$ 14 por tonelada de ferro produzido ao substituir até 33% do coque — carvão processado usado para reduzir o minério — pelo próprio CO2 reciclado do alto-forno.

A ideia é reaproveitar, não substituir. A siderurgia tradicional queima coque para gerar monóxido de carbono, que reage com o minério de ferro e sai como dióxido de carbono liberado direto na atmosfera — um dos motivos pelos quais a indústria de ferro e aço está entre as maiores poluidoras do planeta. A Helix Carbon desenvolveu um eletrolisador que usa eletricidade e um catalisador para tirar um átomo de oxigênio do CO2, transformando-o de volta em monóxido de carbono e devolvendo o gás ao processo. A diferença em relação a eletrolisadores convencionais, que exigem CO2 já purificado, é processar o fluxo bruto de exaustão que sai do próprio alto-forno, sem etapa extra de purificação.

Foto: reprodução/techcrunch.com

A conta de margem é o que vende o produto: segundo o CEO David Brown, as margens da indústria do ferro são "notoriamente finas" — qualquer corte de custo direto na matéria-prima tem efeito imediato no resultado. É um mercado de US$ 2 trilhões somando ferro e aço, mas conservador: há alto-fornos com mais de 100 anos de operação ainda em uso, o que torna qualquer substituição de equipamento um processo lento e caro.

Por isso a estratégia de entrada da Helix Carbon não é vender direto para as siderúrgicas tradicionais. A empresa planeja primeiro atender fabricantes de produtos químicos especiais, que compram monóxido de carbono como insumo, antes de tentar convencer o mercado de alto-forno a adotar o eletrolisador. É um caminho mais devagar, mas evita a barreira de entrada mais alta: convencer uma indústria secular a mexer num equipamento que já funciona.

O TechCrunch não divulgou valores de captação da startup nem clientes já fechados, e a empresa ainda não informou quando a tecnologia deve sair do estágio de demonstração em Startup Battlefield para operação comercial. Quem acompanha a corrida por descarbonização industrial sabe: a diferença entre protótipo premiado em palco e contrato assinado com siderúrgica costuma ser o trecho mais difícil do caminho.

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