
Hinge testa plano mais barato em meio à fadiga com apps de namoro pagos
Em busca de mais usuários pagantes, o Hinge testa uma assinatura mais acessível voltada a mulheres e usuários sensíveis a preço, num momento em que a fadiga de assinaturas atinge os apps de namoro.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Hinge, aplicativo de namoro do grupo americano Match Group, faturou US$ 221 milhões no último trimestre, com 2,3 milhões de usuários pagantes — alta de 23% em relação ao ano anterior. É um número que, isolado, parece bom. O problema é a base: a penetração de pagantes do Hinge ainda é menor que a da Tinder, mesmo cobrando quase o dobro por usuário (ARPPU de cerca de US$ 30, contra a metade disso no app rival). Para destravar esse gargalo, a Match Group está testando um plano de assinatura mais barato no Hinge.
O que o novo plano oferece
Segundo a TechCrunch, a nova camada inclui filtros adicionais e limites de localização personalizados, dando ao usuário mais controle sobre quem aparece no feed e onde pode encontrar pessoas. Steve Bailey, CFO da Match Group, resumiu o público-alvo: "É pensado para mulheres em particular, mas também para usuários sensíveis a preço." O valor da assinatura ainda não foi revelado — a Match Group não divulgou números e a reportagem busca mais detalhes.
Quem ganha e quem perde
O movimento é uma aposta de que preço, não falta de interesse, é o que afasta parte do público do Hinge. Bailey já havia reconhecido que o app "é um dos produtos com preços mais altos" do portfólio da Match Group, e justamente por isso "tem uma das penetrações de pagantes mais baixas". Um plano de entrada mais barato pode converter usuários que hoje usam a versão gratuita e nunca pagaram — ampliando a base, mesmo que à custa de receita por usuário.
Quem sai ganhando, em tese, é o usuário sensível a preço e o próprio Hinge, se a aposta em volume compensar a perda de ticket médio. Quem pode perder é a margem de curto prazo: trocar assinantes do plano cheio por um nível mais barato tende a pressionar o ARPPU que hoje é um dos pontos fortes do app.
O problema maior não é preço
A própria Match Group reconhece que baratear a assinatura não resolve a questão de fundo: a fadiga geral com apps de namoro, somada ao cansaço com o modelo de swipe infinito, está levando usuários a questionar se funcionalidades premium valem o dinheiro. A empresa tem apostado em iniciativas como Group Hangouts e eventos — formatos alternativos ao encontro individual — como sinais de que é possível reverter parte dessa fadiga, mas ainda não há garantia de que preço mais baixo seja suficiente para trazer de volta quem já desistiu de pagar.