
Historiadora diz que Vale do Silício lê ficção científica errado
Jill Lepore, de Harvard, lança livro em 25 de agosto e associa recursos como a 'constituição de IA' da Anthropic a um mal-entendido histórico da ficção distópica pelo setor de tecnologia.
Por Marcos Silva · Repórter de plantão
A entrevista
A historiadora Jill Lepore, professora em Harvard e colunista da revista New Yorker, concedeu entrevista ao podcast Equity, do TechCrunch. O tema: seu novo livro, "The Rise and Fall of the Artificial State", com lançamento previsto para 25 de agosto.
Lepore vem de duas formações. É vencedora do Pulitzer por trabalhos sobre a história da Constituição americana. Também estuda o setor de tecnologia há anos.
O argumento central
Segundo Lepore, empresas privadas assumiram funções do Estado democrático. A frase é dela: "minha crítica está nas formas como corporações privadas passaram a assumir as funções do Estado."
Ela cita exemplos concretos. O Twitter distorceu a leitura do eleitorado. O Facebook substituiu jornalismo local. Data centers de IA consomem energia e água de cidades inteiras sem debate público equivalente.
A tese sobre ficção científica
Lepore aponta uma origem comum para o discurso de líderes de tecnologia: a ficção científica distópica. Ela traça uma linha direta do comercial do Macintosh de 1984 até a "constituição de IA" da Anthropic e as falas de Sam Altman sobre um "presidente de IA".
O problema, diz ela, é a leitura. Histórias como "1984" e "Blade Runner" foram escritas como advertência. Executivos do setor as tratam como manual de operação.
Por que isso interessa ao mercado de tecnologia
O livro chega em meio a debates sobre governança de IA, poder de big techs e regulação. Lepore não propõe solução técnica. Propõe uma pergunta: quem decide, quando o Estado terceiriza funções para empresas de tecnologia?
A resposta, segundo ela, ainda não existe.