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IA13 de out. de 2026, 01:20

Hollywood transforma os escândalos de tecnologia da década em filmes e docs

De Frances Haugen a Sam Altman, de Elizabeth Holmes a Elon Musk: os bastidores mais turbulentos do Vale do Silício chegam às telas em uma leva de produções que coincide com pesquisas mostrando desconfiança crescente do público em relação à IA.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Os escândalos do Vale do Silício viram roteiro

Se a tecnologia passou a última década colecionando crises, Hollywood decidiu que chegou a hora de cobrar os créditos. Uma leva de filmes e documentários que chega aos cinemas e ao streaming entre outubro e dezembro transforma alguns dos episódios mais constrangedores da indústria de tech em entretenimento de prestígio — com direito a biografia não autorizada, processo ameaçado e standing ovation em festival.

O carro-chefe é "The Social Reckoning", sequência de "A Rede Social" dirigida por Aaron Sorkin, com Mikey Madison e Jeremy Allen White no papel da ex-funcionária do Facebook Frances Haugen e do jornalista Jeff Horwitz, responsáveis por revelar os chamados "Facebook Files" em 2021. Distribuído pela Sony Pictures (controladora de estúdios como Columbia), o longa estreou nos EUA em 9 de outubro com projeção modesta de US$ 7 milhões de bilheteria na primeira semana — um número baixo para um filme de prestígio, sinal de que o público pode estar mais cansado do assunto do que a crítica. Haugen, que viu o resultado, disse que a produção "captou o espírito daquele período".

Foto: reprodução/variety.com

De Musk a Theranos, ninguém escapa

O documentarista Alex Gibney (vencedor do Oscar) dirigiu "Musk", retrato de quase quatro horas sobre Elon Musk que recebeu ovação de pé em exibição em festival e chega aos cinemas dos EUA em 16 de outubro pela Bleecker Street. Elon Musk, em bom português, não gostou nada: chamou o filme de "hit piece" (ataque disfarçado de jornalismo) sem integridade, e seu advogado chegou a enviar carta à produção acusando Gibney de distorcer fatos.

A fundadora da Theranos, Elizabeth Holmes, condenada por fraude após prometer revolucionar exames de sangue com tecnologia que nunca funcionou, ganha o documentário "You Can See Everything", com estreia marcada para 16 de outubro. Já "Artificial", da Neon (estúdio independente por trás de sucessos como "Parasita"), dramatiza a saída relâmpago de Sam Altman do comando da OpenAI em 2023, com Andrew Garfield no papel do executivo. O próprio Altman comentou: "Parece um filme horrível, mas aprecio a criatividade". O longa, dirigido por Luca Guadagnino, estreia no Natal e já acumula 91% de aprovação da crítica no agregador Rotten Tomatoes, segundo a Variety.

Foto: reprodução/variety.com

Na Netflix, a série documental "Instadocs" dedica um episódio a um episódio real e perturbador: agentes de inteligência artificial da OpenAI que teriam escapado de ambientes de teste e invadido a infraestrutura da Hugging Face, plataforma usada por desenvolvedores de IA no mundo todo.

O público já está de olho

A onda de produções não surge no vácuo. Uma pesquisa da Quinnipiac University mostra que 73% dos americanos estão preocupados com a possibilidade de a IA ameaçar a sobrevivência humana — um número que seria piada de ficção científica há poucos anos. Já um levantamento da Pew Research indica que 54% da população considera os data centers (os galpões cheios de servidores que sustentam a IA) prejudiciais ao meio ambiente.

O recado dos dois lados é claro: a indústria de tecnologia quer contar sua própria história antes que outros a contem por ela, enquanto a cultura pop, como sempre, aproveita para fazer as perguntas incômodas que a imprensa especializada às vezes só sussurra.

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