
Honda quer transformar o asfalto em carregador de carro elétrico
A Honda testa uma tecnologia que carrega veículos elétricos por indução enquanto eles rodam sobre a pista, mas o projeto ainda está em fase de pesquisa e só deve chegar a vias públicas japonesas em 2027.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Carregar andando, sem parar no posto
Imagina rodar de carro elétrico sem nunca precisar parar em um carregador? É essa a promessa da Honda com o Dynamic Wireless Power Transfer (DWPT), um sistema que embute unidades de transmissão de energia dentro do próprio pavimento. Por acoplamento magnético, a eletricidade passa para receptores instalados no veículo enquanto ele está em movimento — sem fio, sem plugue, sem parada.
Na prática, para quem dirige todos os dias, a ideia resolve dois incômodos recorrentes do elétrico: a ansiedade da autonomia e o tempo perdido em recarga. Mas antes de sonhar com estradas brasileiras carregando o carro, é importante frear a expectativa: o projeto está em fase de pesquisa e testes controlados, não é uma estrada real já em operação.
Foto: reprodução/global.honda
Quem está por trás do projeto e onde ele será testado
A Honda desenvolve a tecnologia desde 2021 e trabalha em parceria com duas empresas do setor de construção e infraestrutura japonês: a Taisei Corporation, responsável pelo sistema de fornecimento elétrico de resposta rápida, e a Taisei Rotec, que cuida da integração da solução ao pavimento. Juntas, as três companhias vão construir uma pista de testes no chamado T-FIELD/TAMURA, centro de tecnologia do grupo Taisei, com conclusão prevista até o fim de 2026.
Só depois dessa etapa controlada é que a Honda planeja levar o sistema para testes em vias públicas no Japão — e mesmo assim não antes do ano fiscal japonês de 2027, que começa em abril daquele ano. Ou seja, ainda são meses de validação antes de qualquer motorista comum cruzar com uma pista desse tipo.
Potência alta, mas foco em caminhões e frotas primeiro
Segundo informações que circulam sobre o projeto, os testes vão verificar o desempenho do sistema em potências de até 150 kW, nível pensado para veículos comerciais de grande porte, além da confiabilidade da transferência de energia em velocidades mais altas. Não é à toa que a prioridade da Honda são veículos de logística e transporte — caminhões, vans de entrega e frotas que perdem dinheiro a cada parada para recarregar.
As perguntas que ficam para o cidadão
Projetos assim reabrem um debate comum em iniciativas de smart cities: quem paga a conta de eletrificar quilômetros de asfalto? Em testes como o da Honda, o custo ainda fica concentrado entre fabricante e parceiros de construção, mas, se a tecnologia avançar para uso comercial, caberá a prefeituras, concessionárias de rodovias ou ao próprio consumidor financiar a instalação — e caberá a algum órgão regulador fiscalizar a segurança de unidades elétricas embutidas sob os pneus de quem passa. Por ora, a Honda não informou valores de investimento nem prazo para uso comercial da tecnologia fora do Japão.