
HRW acusa Facebook e TikTok de ajudar recrutamento infantil na Colômbia
Relatório da Human Rights Watch aponta que Facebook e TikTok falham em remover conteúdos usados por grupos armados colombianos para recrutar crianças, e que algoritmos chegaram a promover essas publicações.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
A Human Rights Watch (HRW) divulgou, em 24 de agosto de 2026, um relatório afirmando que Facebook e TikTok falham em detectar, remover e impedir a disseminação de conteúdos usados por grupos armados colombianos para recrutar menores de idade. Segundo a organização, os algoritmos das duas plataformas chegaram, em alguns casos, a promover essas publicações, ampliando o alcance dos grupos.
O levantamento da HRW mostra que ao menos 1.500 crianças e adolescentes foram recrutados por grupos armados na Colômbia desde 2021. Dissidências das antigas Farc respondem por 74% dos casos documentados entre 2021 e 2025. Outros grupos citados no relatório são o Clan del Golfo e o ELN.
De acordo com a apuração, esses grupos usam as redes para glorificar a vida nas fileiras armadas, publicar ofertas de emprego enganosas e interagir com crianças em fóruns públicos e mensagens privadas. Uma vez recrutados, os menores são usados em combate, no manuseio de armas, drones e explosivos, e na coleta de informações.
A HRW notificou a Meta (dona do Facebook) e a ByteDance (dona do TikTok) sobre o problema. As duas empresas informaram que removeram os conteúdos específicos apontados pela organização.
Quem é afetado
O relatório aponta que quase metade das vítimas de recrutamento são crianças e adolescentes indígenas — grupo que representa cerca de 4% da população colombiana, uma desproporção expressiva. Meninas correspondem a 40% dos casos, com exposição particular a violência sexual dentro dos grupos armados.
O cenário se desenrola mesmo após o acordo de paz de 2016 entre o governo colombiano e as Farc: o conflito armado no país segue ativo, sustentado por dissidências e outras facções que disputam território e influência, inclusive nas redes sociais.
O que fazer agora
Para famílias, educadores e para quem administra perfis de adolescentes na Colômbia — ou acompanha o tema à distância —, os pontos de atenção prático são:
- Desconfiar de ofertas de emprego, "oportunidades" ou convites recebidos por menores em redes sociais vindos de perfis desconhecidos, especialmente em grupos ou chats públicos;
- Denunciar diretamente nas plataformas (Facebook e TikTok têm canais de report) qualquer conteúdo que glorifique grupos armados ou pareça mirar adolescentes para recrutamento;
- Ativar e revisar configurações de privacidade e de mensagens privadas em contas de menores, limitando contato de estranhos;
- Acompanhar como as plataformas respondem publicamente ao relatório da HRW, já que a organização cobra medidas mais efetivas de moderação e de ajuste dos algoritmos de recomendação;
- Buscar apoio de organizações locais de proteção à infância em caso de suspeita de aliciamento, já que o problema vai além da remoção de posts e envolve rede de proteção social.