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Segurança25 de ago. de 2026, 12:15

HRW acusa Facebook e TikTok de ajudar recrutamento infantil na Colômbia

Relatório da Human Rights Watch aponta que Facebook e TikTok falham em remover conteúdos usados por grupos armados colombianos para recrutar crianças, e que algoritmos chegaram a promover essas publicações.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

A Human Rights Watch (HRW) divulgou, em 24 de agosto de 2026, um relatório afirmando que Facebook e TikTok falham em detectar, remover e impedir a disseminação de conteúdos usados por grupos armados colombianos para recrutar menores de idade. Segundo a organização, os algoritmos das duas plataformas chegaram, em alguns casos, a promover essas publicações, ampliando o alcance dos grupos.

O levantamento da HRW mostra que ao menos 1.500 crianças e adolescentes foram recrutados por grupos armados na Colômbia desde 2021. Dissidências das antigas Farc respondem por 74% dos casos documentados entre 2021 e 2025. Outros grupos citados no relatório são o Clan del Golfo e o ELN.

De acordo com a apuração, esses grupos usam as redes para glorificar a vida nas fileiras armadas, publicar ofertas de emprego enganosas e interagir com crianças em fóruns públicos e mensagens privadas. Uma vez recrutados, os menores são usados em combate, no manuseio de armas, drones e explosivos, e na coleta de informações.

A HRW notificou a Meta (dona do Facebook) e a ByteDance (dona do TikTok) sobre o problema. As duas empresas informaram que removeram os conteúdos específicos apontados pela organização.

Quem é afetado

O relatório aponta que quase metade das vítimas de recrutamento são crianças e adolescentes indígenas — grupo que representa cerca de 4% da população colombiana, uma desproporção expressiva. Meninas correspondem a 40% dos casos, com exposição particular a violência sexual dentro dos grupos armados.

O cenário se desenrola mesmo após o acordo de paz de 2016 entre o governo colombiano e as Farc: o conflito armado no país segue ativo, sustentado por dissidências e outras facções que disputam território e influência, inclusive nas redes sociais.

O que fazer agora

Para famílias, educadores e para quem administra perfis de adolescentes na Colômbia — ou acompanha o tema à distância —, os pontos de atenção prático são:

  • Desconfiar de ofertas de emprego, "oportunidades" ou convites recebidos por menores em redes sociais vindos de perfis desconhecidos, especialmente em grupos ou chats públicos;
  • Denunciar diretamente nas plataformas (Facebook e TikTok têm canais de report) qualquer conteúdo que glorifique grupos armados ou pareça mirar adolescentes para recrutamento;
  • Ativar e revisar configurações de privacidade e de mensagens privadas em contas de menores, limitando contato de estranhos;
  • Acompanhar como as plataformas respondem publicamente ao relatório da HRW, já que a organização cobra medidas mais efetivas de moderação e de ajuste dos algoritmos de recomendação;
  • Buscar apoio de organizações locais de proteção à infância em caso de suspeita de aliciamento, já que o problema vai além da remoção de posts e envolve rede de proteção social.
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