
Huawei admite lacunas sem Google e quer reforçar ecossistema no Brasil
Diretor da marca para a América Latina reconhece experiência incompleta sem os apps do Google e promete mais aplicativos locais, eSIM em relógios e pagamento por aproximação — sem data definida.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: zero é o prazo que existe
Não há data. Esse é o dado mais importante do plano que a Huawei, fabricante chinesa de smartphones que perdeu acesso aos serviços do Google após sanções comerciais dos Estados Unidos, apresentou para o Brasil: mais aplicativos locais na loja própria AppGallery, pagamento por aproximação em smartwatches, eSIM em relógios e ampliação do portfólio de celulares — tudo "em desenvolvimento", sem prazo confirmado.
Quem falou foi Carlos Morales, diretor de Relações Públicas da Huawei Devices para a América Latina, em entrevista durante o lançamento do smartwatch Watch GT7 Pro em Munique. A frase mais direta do executivo resume o problema: "Entendemos que ainda não oferecemos 100% da experiência que as pessoas tinham" antes das restrições dos EUA cortarem o acesso da marca a Gmail, Google Maps e Play Store nos aparelhos novos.
Foto: reprodução/spacemoney.com.br
Onde a Huawei já andou e onde ainda engatinha
Em eSIM para smartwatch, a empresa já roda em México, Colômbia e Chile — o Brasil entra depois, sem data. Em pagamento por aproximação no relógio, o obstáculo não é só técnico: depende de parceria com bancos e bandeiras locais, processo que a própria Huawei reconhece como "variável".
Quem ganha e quem perde com a demora
Quem ganha, por enquanto, é a concorrência que já resolveu esse problema há anos — Samsung e Motorola seguem de mãos dadas com o ecossistema Google, sem precisar convencer o cliente a trocar Gmail por app alternativo. Quem perde é o consumidor brasileiro que compra um Huawei mais barato ou com câmera melhor no papel, mas herda a fricção de rodar sem os apps do Google nativamente.
A Huawei aposta que hardware bom compensa esse atrito. O teste real é se o brasileiro, historicamente fiel ao ecossistema Android padrão, topa pagar esse preço em conveniência — mesmo com desconto no preço do aparelho.