tech & talk
Gadgets13 de set. de 2026, 15:43Atualizada em 13 de set. de 2026, 18:11

Huawei quer aval da Anvisa para trazer smartwatch que mede pressão ao Brasil

A Huawei negocia com a Anvisa a liberação do Watch D3, sucessor do primeiro relógio com certificação para monitoramento contínuo de pressão arterial no país. Sem prazo definido, o lançamento no Brasil ainda é incerto.

Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets

Compartilhar

Um relógio que promete substituir o aparelho de pressão

A Huawei, uma das maiores fabricantes de eletrônicos do mundo e nome forte em wearables, está batendo na porta da Anvisa para trazer ao Brasil o Watch D3, seu smartwatch mais ambicioso na área da saúde. O relógio promete algo que nenhum concorrente oferece por aqui com a mesma robustez: medição de pressão arterial ao longo do dia, sem precisar de manguito separado. Testei o Watch D2, antecessor certificado pela Anvisa desde dezembro de 2024, e a diferença de ter esse dado no pulso, sem parar a rotina para medir, muda de fato a relação com o próprio corpo.

O que muda na prática

O grande salto do D3 em relação ao D2 é técnico e sensível a quem usa: em vez de depender só de sensor óptico, o novo modelo infla uma pequena bolsa de ar dentro da própria pulseira para captar a pressão, técnica mais próxima da usada em aparelhos médicos oscilométricos. Isso deve significar leituras mais consistentes, especialmente em pulsos com formatos variados, um problema recorrente em sensores ópticos de mercado. O D3 também mantém a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) da série D e adiciona aferições antes e depois de exercícios, algo relevante para quem treina e quer entender como o corpo reage ao esforço sem precisar registrar manualmente cada medição.

Vale reforçar: a própria Huawei é clara ao dizer que os alertas do relógio não configuram diagnóstico e que qualquer variação relevante deve ser acompanhada por um médico. Isso não desvaloriza o produto, mas deixa claro o papel dele: monitoramento contínuo, não substituição de consulta.

Vale a espera?

Aqui está o ponto sensível: a Huawei já vende o D3 na Europa, mas no Brasil o processo esbarra na Anvisa, e a empresa não tem prazo para a aprovação. Carlos Morales, diretor de Relações Públicas da Huawei Devices para a América Latina, resumiu a situação: "é um processo difícil, mas estamos trabalhando nisso." Ou seja, quem quer esse nível de monitoramento hoje ainda depende do D2, que já cumpriu esse caminho regulatório e segue disponível no país.

A pergunta que fica é se vale esperar. Para quem já convive com hipertensão e precisa de acompanhamento frequente, a evolução na precisão da medição parece justificar a espera. Mas sem data de aprovação nem confirmação de venda por aqui, o Watch D3 por enquanto é mais promessa do que produto — e a Huawei sabe que, neste mercado, ganhar a corrida regulatória pode valer tanto quanto ganhar a corrida tecnológica.

huaweismartwatchanvisapressão arterialsaúde digital
Compartilhar