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Ciência18 de ago. de 2026, 01:11Atualizada em 18 de ago. de 2026, 16:53

Hubble revela galáxia que se fundiu com a Via Láctea há 11,8 bilhões de anos

Um estudo com dados do Hubble e da missão Gaia identificou a fusão da Via Láctea com uma galáxia anã batizada de Low-energy-Kraken-Heracles, recuando em 1,8 bilhão de anos a linha do tempo conhecida da nossa galáxia.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: a fusão que astrônomos acabam de confirmar aconteceu quando o universo tinha só cerca de 2 bilhões de anos — a Via Láctea era praticamente um bebê galáctico quando engoliu uma vizinha com massa equivalente a 500 milhões de sóis em estrelas. É um pedaço e tanto da nossa própria história que estava escondido até agora.

O que é confirmado

Um estudo publicado na revista Nature Astronomy, liderado por Davide Massari, do Observatório de Astrofísica e Ciências Espaciais de Bolonha, na Itália, encontrou evidências definitivas de que uma galáxia anã se fundiu com a Via Láctea ainda nas fases iniciais da formação da nossa galáxia. O evento foi datado em aproximadamente 11,8 bilhões de anos atrás.

Foto: reprodução/science.nasa.gov

A galáxia identificada foi batizada de Low-energy-Kraken-Heracles (LKH) — nome que presta homenagem a três estudos anteriores que já defendiam a hipótese de uma fusão antiga na história da Via Láctea. Segundo o site oficial do Hubble (ESA), a equipe analisou 39 aglomerados globulares localizados nos 20 mil anos-luz mais internos da nossa galáxia, medindo idade e composição química (metalicidade) de cada um com dados do telescópio espacial Hubble, combinados com as medições de precisão da missão Gaia, da Agência Espacial Europeia.

Comparando os padrões estelares desses aglomerados, os pesquisadores conseguiram diferenciar quais grupos de estrelas nasceram dentro da própria Via Láctea e quais vieram de fora, incorporadas durante a fusão com a LKH. O resultado empurra 1,8 bilhão de anos para trás o conhecimento sobre grandes fusões que ajudaram a formar a nossa galáxia.

Massari resumiu a descoberta em declaração ao Hubble/ESA: "Nossa casa é a Via Láctea, mas não sabemos como nossa casa foi construída. Neste trabalho descobrimos de onde veio o primeiro lote significativo de tijolos: uma galáxia anã." Também assinam o estudo Chiara Zerbinati, da Universidade de Bolonha, e Fernando Aguado-Agelet, da Universidade de Vigo e da Universidade de La Laguna, na Espanha.

O que ainda é hipótese

O estudo se apoia na análise estatística de aglomerados globulares — um método indireto, já que ninguém observou a fusão diretamente, apenas seus vestígios químicos e de idade nas estrelas atuais. A cronologia de 11,8 bilhões de anos é a melhor estimativa da equipe com os dados disponíveis, não uma data cravada em pedra, e outros grupos de pesquisa podem revisar o número à medida que novos dados do Gaia e do Hubble forem incorporados.

Por que isso importa

A descoberta reforça a ideia de que a Via Láctea, como a maioria das grandes galáxias, cresceu não só formando estrelas internamente, mas também "engolindo" galáxias menores ao longo de bilhões de anos — um processo que a cosmologia moderna já previa, mas que agora ganha mais um capítulo documentado.

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