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IAMercado06 de nov. de 2026, 07:45

IA aberta já é 1/3 do uso mundial, mas fica só com 4% da receita

Dados da Hugging Face e da Mozilla mostram como modelos abertos como Qwen e DeepSeek dominam downloads e uso, mas o dinheiro ainda fica concentrado em infraestrutura e serviços.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa

33% do uso ativo de inteligência artificial no mundo já roda sobre modelos de código aberto — mas esses mesmos modelos capturam apenas 4% da receita total do setor, segundo estimativa da Mozilla citada por Irene Solaiman, chief policy officer da Hugging Face, plataforma online onde empresas e pesquisadores publicam e baixam modelos de IA abertos, uma espécie de "GitHub da IA".

Por que a conta não fecha

A explicação é simples: quando o modelo em si é gratuito, o dinheiro migra para o que está em volta dele — infraestrutura de hospedagem, ferramentas de ajuste fino (fine-tuning), dados proprietários e suporte para empresas. É o caso da DeepSeek, que distribui de graça seu modelo R1 mas cobra pelo acesso via API, e da Alibaba, que usa seu modelo Qwen como porta de entrada gratuita para atrair clientes para a nuvem paga da empresa.

Quem está ganhando a corrida de downloads

Os números mostram a escala do avanço chinês: o Qwen, da Alibaba, já passou de 1 bilhão de downloads acumulados na Hugging Face, superando o Llama, da Meta, que soma 476 milhões. Em torno do Qwen já existem mais de 200 mil modelos derivados. Já a DeepSeek lidera em uso real — não download, mas processamento efetivo — com 14,37 trilhões de tokens rodados em plataformas como o OpenRouter, sinal de que o modelo está sendo usado em produção, não só baixado e esquecido.

Quem compra isso

Mais de 30% das empresas da Fortune 500 têm conta verificada na Hugging Face, e pesquisas do setor apontam que a adoção de IA aberta em ambiente corporativo já passa de 40%, com a proporção de empresas rodando cinco ou mais modelos em produção subindo de 29% para 37% em um ano. O motivo citado por quem adota: custo menor, mais controle sobre os dados e mais flexibilidade do que depender de um único fornecedor fechado.

O que falta responder

Ainda não está claro se empresas americanas vão conseguir repetir a estratégia dos modelos abertos chineses — abrir o modelo para ganhar escala e cobrar pela infraestrutura em volta — ou se o Ocidente vai continuar concentrado em modelos fechados, deixando a corrida por adoção em massa para quem joga o jogo do open source.

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