
IA, acessibilidade e trens a bateria: o que a feira de transporte dos EUA mostrou
A maior feira de transporte público dos Estados Unidos reuniu cerca de 14 mil participantes em Chicago para apresentar trens com comandos de IA, sinais de trânsito inteligentes e veículos mais acessíveis. Mas a pergunta que fica é: quanto dessa tecnologia vai virar tarifa mais cara para o passageiro?
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
A maior vitrine do transporte público americano
Chicago recebeu, na primeira semana de outubro, a conferência e feira TRANSform, promovida pela APTA (American Public Transportation Association), associação americana que reúne operadoras de trens, metrôs e ônibus. O evento, realizado no McCormick Place Convention Center, reuniu cerca de 14 mil participantes e quase 700 expositores — foi a primeira vez que a APTA voltou a Chicago desde 1981, segundo o Smart Cities Dive, site americano especializado em cidades inteligentes.
Inteligência artificial para manter o trem andando
Foto: reprodução/smartcitiesdive.com
Entre as novidades em inteligência artificial, a fabricante francesa Alstom mostrou uma ferramenta que permite que técnicos resolvam problemas em trens usando comandos em linguagem natural, sem precisar decifrar manuais técnicos. Já a Lyt apresentou um sistema de detecção por IA que prioriza sinais de trânsito para veículos de emergência e para o próprio transporte público — na prática, menos tempo parado no farol vermelho para o ônibus ou a ambulância. A Optibus, por sua vez, exibiu uma plataforma que antecipa tendências e identifica padrões na operação diária das frotas.
Comunicação com o passageiro e acessibilidade
A Wabtec, fornecedora americana de equipamentos ferroviários, demonstrou um sistema de informação ao passageiro com previsão de horário de chegada e integração a redes sociais — útil para quem está na plataforma sem saber se o trem atrasou. A Optibus também mostrou como enviar mensagens automáticas a motoristas e alertar despachantes sobre desvios de rota em tempo real.
No quesito acessibilidade, a Siemens Mobility destacou um modelo de trem de piso baixo, projetado para ser acessível tanto a quem tem quanto a quem não tem mobilidade reduzida. A empresa também informa que o sistema Sound Transit, de Seattle, vai usar trens da Siemens com equipamentos da Wabtec, enquanto a Metra, rede de trens de Chicago, vai receber composições movidas a bateria.
A Alstom ainda anunciou a criação de um centro de inovação em Pittsburgh, que passa a integrar uma rede que já inclui unidades em Paris, Estocolmo, Singapura e Montreal.
O que falta saber
O evento foi uma vitrine de produtos, não um balanço de contratos fechados. Não há, nas coberturas disponíveis, valores pagos por cidades como Seattle ou Chicago pelos novos trens e sistemas, nem prazo de entrega. Para o passageiro brasileiro que acompanha de fora, a pergunta de sempre permanece: tecnologia assim custa caro — e, quando chega a discussão orçamentária, quem vai bancar a conta, o poder público ou a tarifa?