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CiênciaIA08 de set. de 2026, 10:27

IA ajuda a criar remédio que reduz sinais de envelhecimento em teste clínico

O rentosertib, desenvolvido com apoio de inteligência artificial pela chinesa Insilico Medicine para tratar fibrose pulmonar, reduziu marcadores de idade biológica em pacientes durante estudo de 12 semanas.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: imagine um remédio criado não a partir de tentativa e erro em laboratório, mas de um sistema que testou virtualmente milhões de combinações moleculares antes de chegar à fórmula final — foi mais ou menos esse o caminho do rentosertib.

O que foi confirmado

O composto foi desenvolvido pela Insilico Medicine, empresa de biotecnologia fundada em 2014 que usa inteligência artificial para acelerar a descoberta de remédios, originalmente como tratamento para fibrose pulmonar idiopática, doença que endurece progressivamente o tecido dos pulmões. O fundador da empresa, Alex Zhavoronkov, descreveu o processo de desenvolvimento como "examinar uma fechadura e gerar uma chave que se encaixe nela": um sistema de IA analisou registros médicos, exames de sangue e pesquisas acadêmicas para apontar proteínas ligadas à doença, e outro examinou estruturas de proteínas e suas interações moleculares até indicar a molécula candidata.

No estudo clínico, 43 pacientes com fibrose pulmonar idiopática foram acompanhados ao longo de 12 semanas recebendo diferentes doses do rentosertib. Os resultados, publicados na revista científica Nature Biotechnology, mostraram algo que não era o foco original da pesquisa: usando seis diferentes "relógios de envelhecimento" proteômicos — ferramentas que estimam a idade biológica a partir de marcadores no sangue —, os cientistas verificaram que todos os seis indicaram redução na idade biológica estimada dos pacientes tratados, em comparação com quem recebeu placebo. O medicamento também ampliou a capacidade pulmonar dos participantes, o efeito que o estudo buscava originalmente.

O que ainda é hipótese

É importante frisar que o rentosertib não foi criado nem testado como remédio antienvelhecimento — esse resultado apareceu como efeito colateral observado durante um estudo de fase inicial voltado à fibrose pulmonar, com uma amostra pequena de pacientes. Reversão de idade biológica medida por relógios proteômicos é uma métrica ainda em debate na comunidade científica, e o próprio tamanho do estudo impede qualquer conclusão definitiva sobre efeito antienvelhecimento em pessoas saudáveis ou em uso prolongado.

Por que isso importa

O caso reforça uma tendência que vem ganhando força na indústria farmacêutica: usar IA não só para acelerar a descoberta de moléculas, mas para encontrar efeitos inesperados em remédios já em teste. A Insilico já avançou o rentosertib para uma fase 3 de testes clínicos, maior e mais longa, focada no tratamento da fibrose pulmonar — é nessa etapa que efeitos como a possível redução da idade biológica poderão ser investigados com mais rigor.

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