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CiênciaIA06 de ago. de 2026, 22:31

IA cria 16 vírus geneticamente distantes que matam bactérias em laboratório

Modelos de linguagem genômica treinados em milhões de genomas projetaram bacteriófagos funcionais e evolutivamente inéditos, capazes de infectar até cepas de E. coli resistentes.

Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana

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IA projeta vírus nunca vistos na natureza

Pesquisadores do Arc Institute e da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, usaram modelos de linguagem genômica para criar do zero genomas completos de bacteriófagos — vírus que infectam apenas bactérias — e comprovaram em laboratório que várias dessas criações funcionam. O estudo foi publicado na revista Science em 6 de agosto de 2026, após circular como preprint desde setembro de 2025.

A equipe, liderada pelo cientista Brian Hie, usou duas versões do sistema Evo, modelos que operam com a mesma lógica de modelos de linguagem como o ChatGPT, mas treinados em sequências de DNA em vez de texto. Os modelos foram ajustados com genomas de milhares de vírus da família do bacteriófago ΦX174, que infecta a bactéria E. coli, usado como molde de design.

De centenas de milhares de propostas a 16 vírus funcionais

O sistema gerou centenas de milhares de sequências genômicas candidatas. Desse total, cerca de 300 designs foram selecionados como os mais promissores, sintetizados em DNA real e inseridos em bactérias para teste. O resultado: 16 bacteriófagos se mostraram viáveis, capazes de se replicar e matar as bactérias-alvo — alguns com desempenho igual ou superior ao do vírus natural que serviu de referência.

Um dos destaques do estudo é que os vírus criados pela IA apresentam arquiteturas genéticas distintas de qualquer coisa encontrada na natureza. Exames de microscopia crioeletrônica mostraram que um dos fagos projetados usa uma proteína de empacotamento de DNA evolutivamente distante das conhecidas. Uma combinação ("coquetel") dos fagos gerados também conseguiu neutralizar rapidamente cepas de E. coli que haviam desenvolvido resistência ao vírus original.

Promessa terapêutica e alerta de biossegurança

Os cientistas veem no método um caminho para desenvolver terapias com fagos sob medida contra bactérias resistentes a antibióticos, um problema crescente de saúde pública. Por outro lado, especialistas em biossegurança alertam que a mesma tecnologia levanta preocupações: se um sistema de IA consegue redigir genomas completos e coerentes de vírus, o risco de uso indevido para fins mais perigosos não pode ser ignorado.

Os próprios pesquisadores afirmam ter tomado precauções, excluindo do treinamento dados de patógenos que infectam humanos, animais, plantas ou fungos, e conduzindo os experimentos em laboratório controlado, restrito a vírus que atacam apenas bactérias.

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