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SegurançaIA15 de out. de 2026, 09:41

IA cria bots que enganam golpistas e perdem tempo deles em chamadas

A plataforma australiana Apate usa robôs de IA que fingem ser vítimas para prender golpistas em ligações longas, coletando dados que ajudam bancos e operadoras a identificar fraudes.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

Uma empresa australiana chamada Apate — batizada com o nome da deusa grega da trapaça e criada a partir de pesquisas do professor Dali Kaafar na Macquarie University — desenvolveu uma frota de robôs de inteligência artificial que atende ligações de golpistas no lugar de pessoas reais. Os bots simulam vítimas convincentes: variam em gênero, idade, tom de voz e até gírias locais para parecerem autênticos. Hoje a plataforma já opera cerca de 350 mil desses robôs, usados por bancos e operadoras de telecomunicações na Austrália, como o banco CommBank e a operadora TPG.

O objetivo não é apenas fazer o golpista perder tempo. Cada minuto que um fraudador passa conversando com um robô é um minuto em que ele não está discando para uma vítima real — e, como muitos golpes usam discagem automática em massa, atrasar um único criminoso pode evitar que centenas de pessoas sejam contatadas. Além disso, durante essas conversas os bots coletam dados em tempo real: endereços de sites fraudulentos, contas bancárias usadas para movimentar dinheiro ilícito e padrões de discurso usados pelos criminosos. Essas informações alimentam sistemas antifraude de bancos e operadoras, ajudando a identificar e interromper operações de golpe mais rapidamente.

Foto: reprodução/commbank.com.au

Quem é afetado

A tecnologia já foi usada principalmente contra golpes de investimento, incluindo fraudes envolvendo criptomoedas, mas a lógica se aplica a qualquer esquema que dependa de ligações em massa para encontrar vítimas. Embora o projeto opere hoje na Austrália, o modelo interessa a qualquer país onde golpes por telefone e mensagem sejam um problema crescente — o que inclui o Brasil, onde ligações de falsos atendentes de banco, falsas centrais de cartão e falsos "parentes em apuros" continuam entre os golpes mais comuns.

O que fazer agora

Enquanto tecnologias como essa não chegam ao mercado brasileiro, a melhor defesa continua sendo a desconfiança ativa diante de qualquer contato não solicitado:

  • Desligue e ligue de volta pelo canal oficial. Se alguém disser que é do seu banco, desligue e disque para o número oficial impresso no cartão ou no aplicativo.
  • Nunca informe senhas, códigos de SMS ou dados do cartão por telefone. Nenhuma instituição séria pede isso em uma ligação.
  • Desconfie de urgência artificial. Frases como "sua conta será bloqueada agora" são um clássico gatilho de pressão psicológica.
  • Não confirme dados pessoais para "validar a identidade". Quem liga de verdade já tem seus dados; quem pede para você "confirmar" está testando o que você sabe.
  • Use o bloqueio de chamadas e denuncie o número nos aplicativos de identificação de chamadas e também ao próprio banco ou operadora.
  • Converse com familiares mais vulneráveis sobre os golpes mais comuns — a melhor proteção, por enquanto, ainda é a informação.
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