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IA29 de out. de 2026, 15:41

IA de busca do Google evita dizer quem venceu as eleições de 2020 nos EUA

O AI Mode, modo de busca com inteligência artificial do Google, fica evasivo quando perguntado quem venceu a eleição presidencial americana de 2020 por usuários dentro dos Estados Unidos, mas responde diretamente que Joe Biden ganhou quando a pergunta parte de outros países.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Uma pergunta, duas respostas

Em bom português: pergunte a mesma coisa para a mesma IA, só que de lugares diferentes, e ela pode te dar respostas diferentes. Foi o que a Ars Technica, publicação americana especializada em tecnologia, descobriu ao testar o AI Mode, o modo de busca com inteligência artificial do Google. Dentro dos Estados Unidos, perguntar quem venceu a eleição presidencial de 2020 faz o sistema desviar do assunto, recomendando que o usuário consulte diretamente o site da Federal Election Commission (FEC), órgão eleitoral americano, ou o National Archives, arquivo nacional dos EUA. Testado via VPN a partir de Taiwan, Rússia, França e Canadá, porém, o mesmo sistema respondeu sem rodeios: Joe Biden venceu.

O que a IA disse — e o que não disse

A resposta evasiva mais citada tem o seguinte teor: para checar resultados certificados, contagens do colégio eleitoral e totais de votos da eleição de 2020, o usuário deveria visitar o site da FEC. Curiosamente, pedir a resposta de forma alternativa — como escrever as letras separadas por espaços — às vezes contornava o bloqueio, fazendo o sistema soltar "J O E B I D E N". Isso sugere um filtro manual de palavra-chave, não uma lacuna genuína de conhecimento do modelo. Vale destacar que o comportamento não é uniforme dentro do próprio Google: o Gemini, chatbot do Google, respondeu corretamente e sem hesitar quando questionado sobre o mesmo tema — o problema parece concentrado especificamente no AI Mode.

Os dois lados do debate

De um lado, o Google reconheceu o problema publicamente, afirmando que a resposta "não é a mais útil" e que a empresa está investigando. A explicação mais plausível é que o sistema aplica salvaguardas de cautela a temas classificados como sensíveis, redirecionando para fontes oficiais em vez de arriscar uma resposta direta — uma lógica que já havia motivado o Google a restringir o Gemini em temas eleitorais em 2024.

Do outro lado, especialistas e usuários veem risco nesse tipo de cautela seletiva: o resultado da eleição de 2020 é fato histórico, certificado judicialmente e sem contestação legal válida, apesar das alegações infundadas de fraude feitas por Donald Trump e seus apoiadores. Quando uma ferramenta de busca trata um fato consolidado como "sensível demais" para afirmar — e só para uma parte dos usuários —, abre-se espaço para a leitura de que a empresa estaria, ainda que sem intenção, validando narrativas de negacionismo eleitoral. O episódio ganha ainda mais peso por ter vindo à tona dias antes das eleições de meio de mandato americanas, marcadas para 3 de novembro.

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