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IAMercado30 de set. de 2026, 20:49

IA e data centers dividem propostas dos 6 candidatos à Presidência

Levantamento sobre os planos de governo mostra consenso em expandir data centers, mas divergência profunda sobre regular ou não a IA.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Data center é consenso, regulação não

Data center é a palavra que aparece nos planos de governo dos seis principais candidatos à Presidência em 2026 — Augusto Cury, Flávio Bolsonaro, Lula, Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Levantamento sobre os documentos protocolados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostra que expandir a infraestrutura de computação é ponto raro de concordância num campo político dividido em praticamente tudo o mais.

Em bom português: data center é o galpão cheio de servidores que roda os modelos de IA, guarda dados e processa a internet que o país usa todo dia. Sem essa infraestrutura, não existe "soberania digital" que se sustente — é como uma usina de energia: sem ela, não tem indústria de pé.

É aí que os planos se separam. Lula amarra data center a soberania digital e já tem exemplo concreto: anunciou em agosto, em Macaíba (RN), um supercomputador de IA com investimento estimado em R$ 1 bilhão, sob operação de instituição brasileira. Renan Santos, do partido Missão, aposta em incentivo fiscal: seu Marco Brasileiro de Inteligência Artificial (MBIA) reduz impostos pra empresas de tecnologia, facilita plano de opção de ações e mira atrair capital de risco pra instalar data centers grandes no país.

Na regulação de IA, o outro lado da moeda, o racha é mais claro. Ronaldo Caiado defende regra baseada em uso e risco concreto: cada aplicação de IA seria avaliada pelo dano real que pode causar, não por uma lei genérica. Romeu Zema vai na direção oposta, defendendo evitar regulação ampla e prematura, com o Estado agindo só quando houver prejuízo comprovado. Lula, de novo, ancora no conceito de soberania: seu plano prevê compensação a criadores de conteúdo usado por sistemas de IA, rastreabilidade de conteúdo sintético e criação de um centro nacional de transparência algorítmica.

Tem argumento dos dois lados. Quem defende regulação leve aposta que regra pesada afasta investimento estrangeiro num momento em que o Brasil disputa data centers com outros países. Quem defende regra mais dura lembra que, sem transparência, fica difícil saber se o algoritmo que decide crédito, emprego ou conteúdo trata o usuário de forma justa. Especialistas ouvidos por veículos que cobriram o tema fazem a ressalva de sempre: construir data center ajuda a criar capacidade tecnológica, mas não gera soberania digital sozinho — depende de quem controla o software, os dados e o capital por trás da infraestrutura.

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