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MercadoIA06 de nov. de 2026, 07:46

IA força Fujifilm a quintuplicar produção de fita magnética

A Fujifilm vai investir cerca de 10 bilhões de ienes para aumentar em cinco vezes sua produção de fita magnética até 2028, pressionada pela demanda de armazenamento gerada pela IA generativa. A tecnologia dos anos 1950 volta a crescer como alternativa mais barata e segura a HDs e SSDs corporativos.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Cinco vezes mais fita para dar conta da IA

Cinco. Esse é o multiplicador que a Fujifilm vai aplicar à sua capacidade de produção de fita magnética até 2028, depois de confirmar um investimento de cerca de 10 bilhões de ienes (algo próximo de US$ 64 milhões) na fábrica de Odawara, no Japão. Para uma tecnologia que a maioria das pessoas associa a arquivos empoeirados dos anos 1950, o anúncio é um sinal e tanto de como a corrida da inteligência artificial está reconfigurando até os cantos mais antigos da indústria de tecnologia.

O apetite da IA por armazenamento

O treinamento e a operação de modelos de IA generativa produzem um volume de dados sem precedentes, e boa parte desse material não pode simplesmente ser descartado: é preciso guardar logs, datasets e backups por anos, muitas vezes por exigência regulatória ou de segurança. O problema é que SSDs e HDs corporativos enfrentam desabastecimento global, pressionados pela própria demanda de data centers de IA. Resultado: empresas de nuvem e operadoras de data center voltaram a olhar para a fita magnética como solução para os chamados "dados frios" — informações críticas, raramente acessadas, mas que precisam sobreviver intactas por muito tempo.

Por que fita, e não disco

A lógica é de custo e de segurança. Manter dados em fita custa cerca de um quarto do valor de um HD tradicional de mesma finalidade, segundo o Canaltech. Além disso, fitas podem ser desconectadas fisicamente da rede, o que as torna praticamente imunes a ataques de ransomware — argumento que a própria Fujifilm, fabricante mais conhecida por filmes fotográficos, mas que também domina a maior fatia global do mercado de fitas magnéticas corporativas, usa para justificar o investimento. O produto-chave da expansão é a linha FUJIFILM LTO Ultrium10, lançada em 2025, com capacidade nativa de 40 TB (até 100 TB com compressão). A próxima geração, LTO-11, prevista para 2029, deve chegar a 70 TB nativos, com a tecnologia evoluindo para até 365 TB brutos por fita em gerações futuras.

Quem ganha e quem perde

No curto prazo, quem ganha é a própria Fujifilm, que reforça sua posição dominante em um nicho que parecia condenado à obsolescência, e os operadores de data center, que ganham uma alternativa mais barata e segura para arquivar petabytes de dados de IA. Quem sente a pressão são os fabricantes de HDs e SSDs corporativos, já sufocados pela escassez de componentes de memória e agora vendo parte da demanda de armazenamento de longo prazo migrar para uma tecnologia concorrente e mais barata. É um retorno irônico: a fita que o mercado dava por encerrada volta a crescer justamente por causa da tecnologia mais moderna do momento.

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