
IA freia crescimento salarial antes de cortar vagas nos EUA
Estudo da Apollo Global Management mostra que trabalhadores em funções mais expostas à IA tiveram alta salarial 6,7 pontos percentuais menor desde 2023, mesmo sem demissões em massa.
Por Marina Sato · Repórter de IA
O número que abre a conta
Trabalhadores em funções mais expostas à inteligência artificial tiveram crescimento salarial real 6,7 pontos percentuais menor desde 2023, na comparação com colegas em ocupações pouco tocadas pela tecnologia. O dado é de um estudo da gestora Apollo Global Management, divulgado nesta semana.
Como o estudo foi feito
A Apollo cruzou dados do Bureau of Labor Statistics dos EUA, entre 2015 e 2025, com o Anthropic Economic Index, que mede o uso real do Claude por profissão. Foram analisadas 321 das cerca de 800 ocupações mapeadas pelo governo americano.
Quem perde mais
O efeito não é uniforme. Trabalhadores do quartil de renda mais baixa tiveram queda de 10,7 pontos no crescimento salarial; o segundo quartil, 5,4 pontos; o terceiro, 4 pontos. Entre 2022 e 2024, os salários reais de programadores caíram 6,1%, os de assistentes estatísticos, 5,4%, e os de analistas de qualidade de software, 2,9%. Já analistas financeiros, pouco expostos à automação de tarefas repetitivas, tiveram crescimento de vagas de 16,9% no mesmo período.
Compressão, não corte
A conclusão central do estudo é que a produtividade gerada pela IA não está virando salário maior. Em vez de cortar postos de trabalho, empresas estão represando o repasse do ganho de produtividade — o que a Apollo chama de "compressão salarial". A estimativa é que 5,8 milhões de trabalhadores nos EUA ocupem hoje funções de alta exposição à IA.
O que ainda falta responder
O próprio estudo reconhece os limites: usa apenas o Claude como proxy de exposição à IA, cobre pouco mais de um terço das ocupações mapeadas e observa um período curto, de 2022 a 2024. Não fica claro se o efeito se sustenta em um ciclo mais longo, nem se o mesmo padrão de compressão salarial — em vez de corte de vagas — se repete fora dos Estados Unidos.