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IAMercado23 de ago. de 2026, 22:51Atualizada em 24 de ago. de 2026, 18:51

IA freia crescimento salarial antes de cortar vagas nos EUA

Estudo da Apollo Global Management mostra que trabalhadores em funções mais expostas à IA tiveram alta salarial 6,7 pontos percentuais menor desde 2023, mesmo sem demissões em massa.

Por Marina Sato · Repórter de IA

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O número que abre a conta

Trabalhadores em funções mais expostas à inteligência artificial tiveram crescimento salarial real 6,7 pontos percentuais menor desde 2023, na comparação com colegas em ocupações pouco tocadas pela tecnologia. O dado é de um estudo da gestora Apollo Global Management, divulgado nesta semana.

Como o estudo foi feito

A Apollo cruzou dados do Bureau of Labor Statistics dos EUA, entre 2015 e 2025, com o Anthropic Economic Index, que mede o uso real do Claude por profissão. Foram analisadas 321 das cerca de 800 ocupações mapeadas pelo governo americano.

Quem perde mais

O efeito não é uniforme. Trabalhadores do quartil de renda mais baixa tiveram queda de 10,7 pontos no crescimento salarial; o segundo quartil, 5,4 pontos; o terceiro, 4 pontos. Entre 2022 e 2024, os salários reais de programadores caíram 6,1%, os de assistentes estatísticos, 5,4%, e os de analistas de qualidade de software, 2,9%. Já analistas financeiros, pouco expostos à automação de tarefas repetitivas, tiveram crescimento de vagas de 16,9% no mesmo período.

Compressão, não corte

A conclusão central do estudo é que a produtividade gerada pela IA não está virando salário maior. Em vez de cortar postos de trabalho, empresas estão represando o repasse do ganho de produtividade — o que a Apollo chama de "compressão salarial". A estimativa é que 5,8 milhões de trabalhadores nos EUA ocupem hoje funções de alta exposição à IA.

O que ainda falta responder

O próprio estudo reconhece os limites: usa apenas o Claude como proxy de exposição à IA, cobre pouco mais de um terço das ocupações mapeadas e observa um período curto, de 2022 a 2024. Não fica claro se o efeito se sustenta em um ciclo mais longo, nem se o mesmo padrão de compressão salarial — em vez de corte de vagas — se repete fora dos Estados Unidos.


Atualização (24/08, 18:51): ## Atualização: quem está na mira, profissão por profissão

O estudo da Apollo Global Management, assinado pelos economistas Torsten Slok e Sania Edlich, não fica só no dado geral sobre salários. Ele usa o Anthropic Economic Index — que mede a fatia de tarefas de cada profissão já realizada com ajuda do Claude, IA da Anthropic — para apontar, cruzando 321 ocupações nos EUA, quais carreiras têm maior exposição à automação por IA (score de 0 a 1):

  1. Programadores de computador (0,75)
  2. Representantes de atendimento ao cliente (0,70)
  3. Operadores de entrada de dados (0,67)
  4. Especialistas em registros médicos (0,67)
  5. Analistas de pesquisa de mercado e marketing (0,65)
  6. Transcritores médicos (0,64)
  7. Representantes de vendas no atacado e manufatura (0,63)
  8. Arquitetos de banco de dados (0,58)
  9. Analistas financeiros e de investimentos (0,57)
  10. Analistas e testadores de qualidade de software (0,52)
  11. Assistentes estatísticos (0,51)

Estar no topo da lista não significa vaga garantida de demissão — o próprio estudo reforça que o efeito medido é sobre salário, não sobre corte de postos. Aliás, o comportamento varia bastante dentro do próprio grupo de alta exposição: entre 2022 e 2024, as vagas de analistas financeiros cresceram 16,9%, enquanto as de programadores caíram 17,2%, com redução salarial real de 6,1% nesse período. Ou seja, em bom português, a mesma régua de exposição à IA não produz o mesmo resultado em todas as profissões — o mercado de trabalho segue sendo mais imprevisível do que qualquer ranking.

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