
IA generativa testa os cinemas: filme com Grimes estreia em dezembro
"Gods Don't Give Gifts", antologia de ficção científica feita com IA generativa, chega a quase mil salas nos EUA em 4 de dezembro. A cantora Grimes dubla uma das personagens.
Por Marina Sato · Repórter de IA
Quase mil salas para testar um filme feito por IA
"Gods Don't Give Gifts" chega a cerca de mil cinemas dos Estados Unidos em 4 de dezembro. É a meta declarada por Edward Saatchi, CEO da Fable, estúdio de IA que co-produz o longa e está tentando um lançamento tradicional em salas comerciais. Grimes entra no elenco de voz, dublando a personagem Zayinth Alda.
"Gods Don't Give Gifts" é uma antologia de ficção científica com quatro histórias interligadas, ambientadas em um futuro onde consciências podem ser transferidas entre corpos e memórias são compradas e vendidas. O projeto é dirigido por Zack London, criador do canal "Gossip Goblin" no YouTube, com 1,6 milhão de inscritos. A Fable, de Saatchi, entra como co-produtora e aposta que a estreia em cinemas físicos é o teste decisivo de viabilidade comercial para filmes gerados por IA.
Foto: reprodução/gamesbeat.com
A régua é um filme de game para YouTube
Saatchi usa como referência "Iron Lung", filme de Mark Fischbach (conhecido como Markiplier) que faturou mais de US$ 50 milhões globalmente partindo de uma base de fãs no YouTube. A aposta de "Gods Don't Give Gifts" segue lógica parecida: capitalizar a audiência que Zack London já tem online e levá-la para a sala de cinema. O trailer do filme já soma cerca de 16 milhões de visualizações somadas entre plataformas.
Foto: reprodução/yahoo.com
A produção foi feita por uma equipe pequena, entre duas dezenas e 30 pessoas, combinando imagens geradas por IA com roteiristas, dubladores, músicos e equipe de pós-produção humanos. Grimes dubla a própria personagem — uma aristocrata dissidente em um mundo transumanista —, e não é substituída por voz sintética. O orçamento é descrito pela produção como modesto, bem distante da escala de um estúdio tradicional de animação.
O que ainda falta provar
O filme também foi inscrito para disputar Oscar de Melhor Animação, BAFTA e Globo de Ouro, o que testa outra frente: se a indústria vai tratar produções de IA generativa como elegíveis aos mesmos critérios de premiação do cinema convencional.
Nenhuma das fontes consultadas traz dados de pré-venda de bilhetes, acordo de distribuição assinado com redes de cinema ou previsão de bilheteria para "Gods Don't Give Gifts". A meta de mil salas é uma intenção declarada por Saatchi, não um número confirmado de exibidores fechados. Também não há, até agora, divulgação do custo total de produção nem de quanto a Fable pretende recuperar com o lançamento. Esses números — e não o elenco — vão dizer se um filme de IA sustenta uma bilheteria real ou se fica restrito ao buzz do trailer.