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IA08 de ago. de 2026, 01:41

IA gera tanto "ruído" que acelera remoção de driver de 27 anos no Linux

Uma enxurrada de relatórios e patches gerados por IA sobre um driver serial obsoleto do kernel Linux fez o mantenedor Greg Kroah-Hartman antecipar sua remoção, num caso que expõe o novo tipo de sobrecarga que ferramentas automatizadas impõem a projetos open source.

Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana

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Um driver esquecido volta à tona por causa da IA

O kernel Linux perdeu um pedaço de história recente: o driver moxa.c, escrito em 1999 para dar suporte às placas seriais multiporta Intellio, da fabricante taiwanesa Moxa. O código, com cerca de 2.100 linhas, estava havia anos em polvorosa apenas nominal — o hardware que ele suportava foi descontinuado pela própria Moxa em 2017, e em 2021 a empresa já havia sinalizado publicamente que não se opunha à remoção do driver do kernel.

Mesmo assim, o código sobreviveu por mais alguns anos sem que ninguém se dispusesse a tirá-lo de circulação — até que agentes de inteligência artificial começaram a "cutucar" essa parte adormecida do repositório.

Ruído de IA como gatilho final

Segundo relatos técnicos, ferramentas de IA e LLMs passaram a vasculhar trechos antigos do kernel em busca de falhas, gerando relatórios de bugs e sugestões de patches para o driver da Moxa. O problema é que boa parte desse material carece de precisão: são análises automatizadas que consomem tempo de mantenedores voluntários para serem verificadas, mesmo quando o código em questão já não tem uso prático.

Diante disso, Greg Kroah-Hartman, um dos principais mantenedores do kernel, enviou em agosto um patch à lista de discussão linux-serial removendo o driver de vez. Ele foi direto ao justificar a decisão: seria um driver muito antigo, sem hardware conhecido ainda em uso, e as LLMs estariam começando a "achar coisas 'interessantes' que só vão desperdiçar o tempo de todo mundo".

Parte de um problema maior

O caso do driver da Moxa não é isolado. A lista de segurança do kernel Linux, que recebia de duas a três notificações por semana há cerca de dois anos, hoje recebe entre cinco e dez relatórios por dia — muitos deles gerados por ferramentas de IA e fuzzers, incluindo relatos que se mostram alucinações sem fundamento real. Esse volume também impulsionou uma proposta para eliminar cerca de 27 mil linhas de código de drivers de rede antigos, de fabricantes como 3Com, AMD, SMSC, Cirrus Logic, Fujitsu e Xircom, além do driver IPWireless, usado por modems 3G/UMTS em desuso desde pelo menos 2011.

O episódio ilustra um efeito colateral pouco discutido da popularização da IA em desenvolvimento de software: em vez de ajudar exclusivamente a encontrar problemas reais, o excesso de relatórios automatizados de baixa qualidade tem sobrecarregado mantenedores e, paradoxalmente, acelerado decisões que a comunidade já sabia que precisava tomar — mas vinha adiando. Linus Torvalds, criador do Linux, já alertou publicamente que o uso exagerado de IA sem revisão humana mais atrapalha do que ajuda o trabalho dos desenvolvedores do kernel.

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