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IAMercado15 de out. de 2026, 08:56

IA não elimina devs, mas já apagou quase 20% das vagas juniores

Um estudo de Stanford mostra que o emprego de desenvolvedores entre 22 e 25 anos caiu quase 20% desde o fim de 2022 — não porque a IA substitui programadores, mas porque absorveu o trabalho que treinava os novatos.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Dois lados da mesma mudança

Será que a inteligência artificial está substituindo programadores, ou é só o medo de quem programa que está maior que a mudança real? Essa pergunta, levantada numa coluna recente do Olhar Digital, tem uma resposta mais chata do que um "sim" ou "não": depende de qual programador.

O que os números mostram

Um estudo da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, divulgado em novembro de 2025 e revisado em agosto deste ano, rastreou a folha de pagamento de empresas americanas e achou um padrão específico: trabalhadores de 22 a 25 anos em ocupações mais expostas à IA — entre elas, o desenvolvimento de software — tiveram o emprego quase 20% menor do que seria esperado se o setor tivesse crescido no ritmo de antes. Profissionais mais experientes, nas mesmas funções, não sofreram a mesma queda. Em bom português: a IA não está demitindo quem já tem cargo — está fazendo as empresas pararem de abrir vaga pra quem está começando.

Por que o novato é o mais afetado

Faz sentido pensar numa analogia simples. Um programador júnior, até pouco tempo, aprendia o ofício escrevendo código repetitivo e padronizado — o "arroz com feijão" de qualquer sistema — sob supervisão de alguém mais experiente. Hoje, esse arroz com feijão é exatamente o tipo de tarefa que um modelo de IA resolve em segundos. O problema é que esse trabalho básico também era o estágio, a escola, de quem viraria sênior lá na frente. Sem ele, as empresas cortam a contratação de iniciantes — e a matrícula em cursos de ciência da computação caiu na mesma safra de dados.

O que fica de pé

Por outro lado, quem já domina arquitetura de sistemas, entende o negócio e sabe revisar o que a IA produz continua empregável — a coluna do Olhar Digital cita o caso de um tech leader que comparou uma squad humana com a IA fazendo a mesma tarefa, e a squad humana venceu. A pergunta que resta, tanto pra quem contrata quanto pra quem estuda programação agora, é o que acontece quando a geração que não passou pelo "arroz com feijão" do código chegar à idade de virar sênior — e não tiver aprendido onde esse arroz queima.

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