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IA26 de set. de 2026, 16:39

IA prometia arrasar o emprego dos recém-formados. Os números ainda não confirmam

Um novo estudo acadêmico não encontra queda generalizada na contratação de jovens graduados nos EUA por causa da inteligência artificial. Mas pesquisas concorrentes discordam, e o verdadeiro teste ainda está por vir.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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O terror que (ainda) não apareceu nos números

Se você formou recentemente ou tem um filho prestes a se formar, já deve ter ouvido a profecia: a inteligência artificial vai varrer as vagas de entrada, aquelas primeiras posições júnior que sempre serviram de porta de entrada para o mercado de trabalho. Executivos de peso chegaram a prever desemprego na casa dos 30% entre jovens graduados nos Estados Unidos. É como anunciar uma tempestade catastrófica e, na hora marcada, encontrar só uma garoa.

Um novo estudo do CESifo — uma rede de pesquisa econômica ligada à Universidade de Munique, na Alemanha, que reúne acadêmicos de vários países — não encontrou evidência de dispensa em massa nem de recuo generalizado na contratação de recém-formados por causa da IA. Os pesquisadores Robert Fairlie e Jane Wu analisaram dados do Census americano sobre jovens de 22 a 25 anos, com diploma de bacharel e fora da faculdade, e mediram o desemprego em 7,3% no verão de 2026 — dentro da faixa de 6,3% a 7,8% observada nos verões de 2022 a 2024. Em bom português: pelos números oficiais, a turma que se formou este ano não está pior do que a de três anos atrás.

Dois estudos, duas conclusões

Aqui mora o busílis do debate: nem todo mundo concorda. Um estudo da Universidade Stanford, divulgado em agosto, mostrou que o emprego em ocupações consideradas "expostas à IA" cresce mais devagar do que em outras áreas — um sinal, ainda que sutil, de que a tecnologia já mexe no jogo. Já o Fed de Nova York, o banco regional que monitora a economia da região e frequentemente publica análises sobre emprego, atribuiu boa parte do aumento do desemprego jovem ao trabalho remoto, não à IA: empresas hesitam em contratar gente sem experiência para posições remotas, onde falta o mentor de corredor que ensina o ofício no dia a dia.

É como dois médicos examinando o mesmo paciente e chegando a diagnósticos diferentes — não porque um esteja mentindo, mas porque olham para exames distintos. Um mede o pulso da contratação setor por setor; o outro, o quadro geral do desemprego.

O verdadeiro teste ainda não chegou

Os próprios autores do estudo do CESifo fazem questão de avisar: o verão de 2026 é um primeiro teste, não um veredito definitivo. As turmas que se formarem em 2027 em diante podem enfrentar um cenário bem diferente, à medida que empresas aprofundam o uso de IA no dia a dia — hoje ainda incipiente para a maioria dos setores.

A lição, por ora, é de cautela nos dois sentidos: nem a catástrofe anunciada se confirmou nos dados agregados, nem o alívio deve virar desculpa para ignorar sinais localizados de aperto em áreas mais expostas à automação, como tecnologia. O mercado de trabalho para jovens continua sendo, como sempre foi, um território de incerteza — só que agora com um personagem novo observando de perto.

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