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IA05 de out. de 2026, 09:40

IA reduz desigualdade em testes, mas tropeça em quem já está atrás

Estudos no Peru, Paquistão e Quênia mostram que a IA pode nivelar desempenho entre profissionais, mas também pode punir quem tem pior performance inicial.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Os números que sustentam o otimismo

Um estudo com 4.867 desenvolvedores de software encontrou aumento médio de 26,08% nas tarefas concluídas por quem usou ferramentas de IA no trabalho — e os profissionais menos experientes foram os que mais ganharam produtividade, não os sêniores. Em bom português: a IA, nesse caso, funcionou como um atalho para quem tinha menos bagagem, não como um multiplicador só para quem já estava na frente.

Na educação, um experimento no Peru acompanhou 1.269 professores de 390 escolas públicas por oito meses, combinando capacitação com acesso a uma licença de IA. O programa reduziu a diferença inicial de competências entre professores novatos e veteranos. Na saúde, um teste no Paquistão mostrou médicos com acesso a um modelo de linguagem atingindo 71,4% de acerto em raciocínio diagnóstico, contra 42,6% usando apenas recursos convencionais.

Onde a conta não fecha

O otimismo tem limite. No Brasil, 69% da classe A já usa IA generativa no dia a dia, contra apenas 16% nas classes D e E — a desigualdade de acesso simplesmente migra de lugar. Entre pessoas com até o Ensino Fundamental completo, 65% apontam falta de habilidade como a barreira para usar essas ferramentas.

Mais revelador: um estudo com empreendedores no Quênia mostrou que os participantes de pior desempenho inicial ficaram quase 10% piores ao usar um assistente de IA, não melhores. A explicação mais provável é que, sem repertório prévio para avaliar a resposta da máquina, esses empreendedores aceitaram sugestões ruins sem questionar.

A peça que falta: quem regula o uso

Na saúde, apenas 8% dos países europeus têm uma estratégia específica de IA e só 8% definem com clareza quem responde quando o sistema erra. Ou seja, a tecnologia já entrega ganho de desempenho mensurável em cenários controlados, mas a governança sobre como ela é usada no mundo real ainda está muito atrás.

Fica a pergunta que o debate público ainda não respondeu: o acesso à IA vai nivelar oportunidades ou só vai mudar o nome da desigualdade, de "quem tem diploma" para "quem sabe usar a ferramenta direito"?

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