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IA26 de set. de 2026, 16:38

IA vai nos deixar burros? Especialistas dizem que o risco está na acomodação

Coluna do Olhar Digital questiona se a IA vai nos deixar burros; um estudo do MIT já mediu queda de atividade cerebral em quem terceiriza demais o pensamento para a inteligência artificial.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Em bom português: o problema não é a IA pensar por você

A pergunta que a coluna do Olhar Digital levanta essa semana é simples de fazer e difícil de responder: usar inteligência artificial todos os dias está deixando as pessoas mais burras? O colunista Eduardo Endo defende que não é a máquina que pensa por nós que vai nos atrofiar, mas a acomodação de quem para de pensar por conta própria. É uma distinção parecida com a diferença entre usar GPS para chegar a um lugar novo e nunca mais prestar atenção ao caminho.

Ele lembra que o mesmo medo já apareceu com o carro, o videogame e a calculadora — tecnologias que, no fim, não nos tornaram incapazes de andar, jogar ou fazer conta, mas mudaram o que vale a pena aprender de memória. A cena que ele usa como exemplo é reveladora: em um evento da OpenAI, poucas pessoas tinham efetivamente construído algo com IA — a maioria só tinha conversado com ela.

O outro lado: o que a ciência já mediu

Enquanto a coluna é opinião, já existe dado concreto sobre o tema. Um estudo do MIT Media Lab, laboratório de pesquisas em tecnologia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, mediu com eletroencefalograma a atividade cerebral de 54 pessoas escrevendo textos com e sem apoio de IA. Quem usava IA para tarefas cognitivas complexas mostrou menor ativação em áreas ligadas a memória, atenção e pensamento crítico — e, ao longo do tempo, reteve menos informação e demonstrou menor senso de autoria sobre o que produziu.

A consultoria americana Gartner, especializada em pesquisas de tecnologia corporativa, já prevê o desdobramento prático: até 2026, a erosão do pensamento crítico ligada à IA generativa deve levar metade das grandes empresas a exigir avaliações de competência sem uso de IA.

O que ainda falta responder

Os dois lados coexistem sem se anular. É verdade que a execução de tarefas — programar, escrever, desenhar — fica mais barata e acessível com IA. Também é verdade que o cérebro que terceiriza demais o esforço cognitivo mede, em exame, menos atividade nas áreas que sustentam esse mesmo esforço. O que ninguém mediu ainda é se esse efeito é permanente ou se — como no caso da calculadora — a espécie humana simplesmente vai realocar seu esforço mental para outro lugar.

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