
IA vira motor da SpaceX: receita salta 161% e empresa sai do vermelho
A SpaceX fechou o terceiro trimestre com receita de US$ 14,6 bilhões, alta de 161% em um ano, e lucro líquido de US$ 4,4 bilhões. O impulso veio da divisão de Super Intelligence, que já supera a Starlink e deixa o negócio espacial em segundo plano.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: US$ 14,6 bilhões
A SpaceX reportou receita de US$ 14,6 bilhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 161% em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa, que o mercado ainda associa a foguetes, saiu de um prejuízo líquido de US$ 1,05 bilhão há um ano para um lucro líquido de US$ 4,4 bilhões agora. A virada não veio do espaço — veio da inteligência artificial.
O que é a divisão Super Intelligence
O motor desse resultado é o segmento que a SpaceX batizou de "Super Intelligence" (SI), antes reportado como "Artificial Intelligence". Na prática, é o braço de infraestrutura e produtos de IA da empresa: capacidade de computação em nuvem (chamada internamente de "neocloud", já somando 1,7 gigawatt), alugada para terceiros como Anthropic (criadora do Claude, concorrente direta) e Google Cloud; o assistente de IA Grok; e, desde agosto, o Cursor, ferramenta de codificação com IA comprada pela SpaceX por US$ 60 bilhões — a maior aquisição de startup já registrada.
Esse segmento faturou US$ 7,56 bilhões no trimestre, um salto de 830% sobre o ano anterior, e girou de um prejuízo operacional de US$ 1,72 bilhão para um lucro de US$ 431 milhões. A IA já responde por 52% de toda a receita da companhia, superando a própria Starlink.
Quem ganha: Starlink segue sustentando o caixa
A Connectivity, nome dado à operação de internet via satélite Starlink, cresceu 69%, para US$ 5,25 bilhões em receita, com lucro operacional de US$ 2,37 bilhões — alta de 99%. Apesar de a IA ter ultrapassado a Starlink em faturamento, é a divisão de conectividade que ainda concentra a maior parte do lucro operacional da empresa.
Quem perde: o negócio espacial fica no vermelho
Já a divisão Space, responsável pelos lançamentos de foguetes — núcleo histórico da companhia —, teve receita de US$ 1,77 bilhão, alta de apenas 6%, e registrou prejuízo operacional de US$ 7 milhões, revertendo um lucro de US$ 259 milhões no ano anterior. O resultado reflete o aumento de custos com o desenvolvimento da Starship, segundo a empresa.
O contexto por trás dos números
O resultado consolida uma transformação que a SpaceX vem sinalizando ao mercado: de empresa aeroespacial para conglomerado de tecnologia com apostas pesadas em IA. A métrica mais simbólica do trimestre talvez seja essa inversão de prioridades internas — o negócio que deu origem à empresa, lançar foguetes, hoje é o único dos três segmentos no vermelho.