
IA vira personal shopper: varejo brasileiro já sente o impacto
46,5% dos brasileiros já usam IA para comprar. Magalu, Renner e bancos mudam operação para atender agentes que pesquisam, decidem e pagam no lugar do cliente.
Por Marina Sato · Repórter de IA
O número que resume a virada
46,5% dos compradores brasileiros já usam alguma ferramenta de IA em etapas da compra online. O dado é do "Mapa da Busca no Brasil 2026", da Optimiza Marketing, e marca uma ruptura num roteiro que não mudava havia duas décadas: buscar, comparar abas, decidir sozinho.
Agora entra um agente no meio do caminho. Ele pesquisa, compara preços e, em alguns casos, já fecha a compra sem o cliente clicar em nada.
Foto: reprodução/ecommercebrasil.com.br
Tráfego mudou de forma antes de mudar de volume
Um estudo da Softtek, multinacional de tecnologia, mediu o efeito: o tráfego de e-commerces vindo de assistentes de IA cresceu 4.700% em um ano. Quem chega por essa via fica 32% mais tempo na página, consome 10% mais conteúdo e tem taxa de rejeição 27% menor. A conversão no modelo conversacional é três vezes maior que a do aplicativo tradicional.
O varejo já sentiu isso em caixa. A Lu do Magalu, assistente de IA que opera no WhatsApp, registrou 9 milhões de conversas e R$ 100 milhões em vendas em poucos meses, segundo o CEO do Magalu, Fred Trajano.
Grandes redes já redesenham a operação
Na Lojas Renner, o Chief Digital Officer Flávio Reis lidera a implementação do agente "Rê" para compras autônomas; a companhia viu o tráfego vindo de LLMs (modelos de linguagem, a tecnologia por trás de assistentes como ChatGPT e Gemini) crescer 430%, com taxa de conversão de agentes autônomos em 31%.
Do lado dos pagamentos, a Yuno, plataforma de gestão de pagamentos, testa checkout autônomo. Juan Pablo Ortega, CEO e cofundador da empresa, contou que seu próprio agente, apelidado "Juanito", comprou sua passagem para o Brasil sem intervenção manual. Resumo dele: "velocidade de máquina com operação humana é igual a zero".
No sistema financeiro, o marco já tem data: a primeira transação agêntica do país aconteceu em 11 de março de 2026, entre Banco do Brasil e Visa. Em 29 de abril, o programa Visa Agentic Ready reuniu BB, Bradesco, Dock, Santander e XP para escalar o modelo a outros bancos.
O tamanho da aposta
A McKinsey projeta que o comércio mediado por agentes de IA movimentará entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões até 2030. E mais de 70% dos consumidores já dizem estar dispostos a delegar pesquisa e descoberta de produtos a um robô.
O que ainda falta responder
Nenhuma fonte apurada explica quem paga a conta quando o agente erra a compra, como fica a publicidade num fluxo onde o consumidor não navega mais entre vitrines, e que corte cada agente vai cobrar do varejista para recomendar um produto em vez de outro. Enquanto isso não é resolvido, bancos e varejistas seguem construindo a infraestrutura primeiro e discutindo as regras depois.