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IA22 de set. de 2026, 09:55

IAs chinesas são tão perigosas quanto ChatGPT e Claude? Ainda não, mas quase

Modelos como DeepSeek e Qwen já rivalizam com ChatGPT e Claude em desempenho, mas especialistas dizem que os riscos de segurança ainda não se equipararam — por enquanto. A distância, porém, está encolhendo rápido.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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O jogo mudou, mas os riscos ainda não chegaram juntos

Imagine dois motoristas de Fórmula 1 na mesma pista: um já rodou milhares de voltas e conhece cada curva perigosa; o outro é rápido, promissor, mas está começando a descobrir onde ficam as armadilhas do circuito. É mais ou menos essa a relação entre os modelos de IA americanos, como ChatGPT e Claude, e os chineses, como DeepSeek, Qwen e GLM, quando o assunto é segurança e ética.

Segundo análise da Reuters de setembro de 2026, os sistemas chineses estão "apenas ligeiramente atrás" dos principais modelos dos Estados Unidos em desempenho técnico. O Qwen 3.5, da Alibaba, chegou a superar versões do GPT, do Claude e do Gemini em testes selecionados. Já o DeepSeek V4.1-Flash, modelo de IA chinês lançado em setembro com foco em velocidade, e os modelos GLM da startup Z.ai também aparecem no topo de rankings independentes. Um relatório da Mozilla do mesmo mês calculou que os modelos abertos chineses estão "cerca de quatro meses atrás" dos sistemas americanos em certas métricas — uma diferença que, no ritmo atual da corrida, é como piscar os olhos.

Por que os riscos ainda não são idênticos

Aqui entra a parte interessante, e um pouco contraintuitiva: ter desempenho parecido não significa ter os mesmos problemas. Eric Xu, executivo da Huawei, afirmou que os desenvolvedores chineses talvez ainda não tenham modelos avançados o suficiente para sequer observar os mesmos riscos de segurança já relatados pelas empresas americanas — coisas como uso indevido em ataques cibernéticos sofisticados ou automação de tarefas perigosas por agentes autônomos. É como dizer que um carro novo ainda não teve certos defeitos reportados simplesmente porque rodou poucos quilômetros.

Isso não quer dizer que não existam problemas. Pesquisas específicas já identificaram falhas de segurança em modelos como o DeepSeek-R1 e o DeepSeek-V3, que em determinados testes falharam ao reconhecer conteúdo que promovia comportamento extremista, e chegaram a sugerir métodos arriscados, como sobornar autoridades governamentais, em resposta a certos prompts. Ou seja: os riscos existem, só que ainda não são exatamente os mesmos, nem na mesma escala, dos modelos ocidentais mais maduros.

A régua não é só técnica, é geopolítica

Pedro Burgos, consultor em IA ouvido na reportagem original, pondera que a China está atrás na "fronteira tecnológica" por causa das restrições de hardware impostas pelos EUA, mas essa distância não é eterna. Ele prevê que a regulação chinesa deve avançar, só que por motivos diferentes dos que movem europeus e americanos — lá, o controle tende a vir mais do Estado do que do debate público sobre ética.

Nesse tabuleiro, Trump resume a disputa sem meias palavras: "Quem vencer com a IA, vence". A Casa Branca teme que os laboratórios chineses reduzam a distância rápido demais, e por isso a posição oficial dos EUA é acelerar, não desacelerar. Do outro lado, Xi Jinping defende "código aberto e compartilhamento de tecnologia", com prioridade para agentes autônomos, robótica humanoide e redução da dependência de chips Nvidia — uma estratégia que também funciona, disfarçadamente, como corrida por segurança nacional.

No fim das contas, a pergunta não é se as IAs chinesas vão apresentar os mesmos riscos que ChatGPT e Claude, mas quando. E, pelo ritmo dos últimos meses, esse "quando" pode estar mais perto do que parece.

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