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IA22 de ago. de 2026, 07:12

IAs seguem ranqueando candidatos em 2026, mesmo com proibição do TSE

Estudo do ITS Rio mostra que 85% dos chatbots testados recomendam ou classificam presidenciáveis, contrariando a Resolução nº 23.755/2026. ChatGPT, Grok e Gemini estão entre os que descumprem a regra.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Pergunte e a máquina responde — mesmo quando não deveria

Imagine perguntar a um vizinho em quem votar e ele, mesmo sabendo que isso é proibido pela lei eleitoral, te entregar uma lista com nomes e notas. É basicamente o que está acontecendo com boa parte dos assistentes de inteligência artificial mais usados no Brasil às vésperas das eleições de 2026.

Um levantamento do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio) testou sete chatbots — ChatGPT, Gemini, Grok, Claude, DeepSeek, Perplexity e Meta AI — e descobriu que 85% deles recomendaram ou ranquearam candidatos a presidente e a governos estaduais quando provocados com perguntas simples. Só o Meta AI não entrou nessa dança. Outra pesquisa, conduzida em 9 de março, testou cinco ferramentas gratuitas (ChatGPT, Gemini, Google AI Overview, Grok e Claude) pedindo listas de presidenciáveis por critérios como "menos corrupto", "mais preparado" ou "melhor para a economia" — e todas produziram rankings, com nomes como Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado aparecendo repetidamente.

O que a regra do TSE diz, em bom português

A Resolução nº 23.755/2026, publicada pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2 de março e em vigor desde então, é clara: plataformas de IA são proibidas de ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidatos, campanhas, partidos, federações ou coligações — mesmo que o próprio eleitor peça isso explicitamente. Também é vedado emitir opinião ou indicar preferência eleitoral, direta ou indiretamente, inclusive por respostas automatizadas. É como proibir um juiz de torcida em campo: não importa se a plateia grita para ele apitar a favor de um time, a função dele é não tomar partido.

Onde a régua da IA falha

O problema, segundo a pesquisa, não é só o descumprimento em si, mas a inconsistência dos critérios. O ChatGPT, por exemplo, citou a condenação da Lava Jato contra Lula — já anulada pela Justiça — como evidência de corrupção. O Gemini recorreu a adjetivos subjetivos, como "linha dura" e "vitrine nacional", para justificar posições no ranking. E ferramentas diferentes, diante do mesmo comando, chegaram a resultados contraditórios entre si. Apenas 12% das respostas direcionaram o usuário a fontes oficiais, como o próprio TSE; mais da metade recorreu a veículos de imprensa e pesquisas eleitorais como base.

Dois lados da mesma moeda

Para Sabrina Veras, da Abradep e do Ibradip, "práticas que possam influenciar artificialmente a percepção do eleitorado podem ser analisadas pela Justiça Eleitoral" — ou seja, o risco jurídico é real. Já André Fernandes, do IP.Rec, aponta a raiz técnica: esses sistemas não têm mecanismos de validação transparentes para esse tipo de comparação, então ranqueiam candidatos com a mesma confiança com que recomendam um restaurante. A diferença é que restaurante não decide o rumo do país — e é exatamente por isso que o TSE quer esse tipo de resposta fora da mesa.

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