
ICE vai gastar até US$ 20 milhões em luvas que aplicam choques elétricos
A agência de imigração dos EUA planeja equipar agentes com luvas capazes de aplicar choques elétricos dolorosos, em contrato sem licitação de até US$ 20 milhões revelado pelo DHS.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 20 milhões é o número que chama atenção
A ICE, agência de imigração dos Estados Unidos, planeja gastar entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões para comprar luvas equipadas com dispositivos de choque elétrico para seus agentes. Os planos foram detalhados em um aviso publicado numa segunda-feira pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) no portal de previsão de oportunidades de contrato do órgão. Segundo o documento, a solicitação formal para o contrato — que deve ser fechado sem processo de licitação competitiva — pode ser publicada já na sexta-feira seguinte ao aviso.
Quem fabrica e como funciona
O produto é conhecido como CTG 5 G.L.O.V.E. (Generated Low Output Voltage Emitter). O fornecedor identificado é a Compliant Technologies LLC, empresa sediada em Lexington, no estado americano de Kentucky. De acordo com a fabricante, o equipamento funciona como uma luva comum de patrulhamento até o agente ativar o modo elétrico por meio de um interruptor. Aplicado diretamente sobre a pele, o dispositivo entrega um estímulo de dor aguda, com a proposta declarada de obter rendição rápida de indivíduos considerados combativos. A entrega dos equipamentos está prevista para até 31 de março de 2027, conforme o contrato antecipado no portal do DHS.
O que está em jogo
O fato de o contrato estar sendo estruturado como no-bid — ou seja, sem concorrência aberta entre fornecedores — chama atenção em qualquer negociação de gasto público, por concentrar a escolha em um único fornecedor sem comparação formal de preços ou propostas alternativas. Contratos desse tipo tendem a ser justificados por urgência operacional ou especificidade técnica do produto, mas também costumam atrair escrutínio de órgãos de controle e da imprensa, justamente pela ausência de disputa que normalmente pressiona valores para baixo.
A compra também se soma a um histórico de aquisições de equipamentos não letais por agências de aplicação da lei nos EUA, que costuma gerar debate técnico sobre eficácia, risco de uso indevido e adequação do treinamento dos agentes que vão operar o dispositivo. Até a publicação desta matéria, a Compliant Technologies não havia detalhado publicamente o valor exato do contrato dentro da faixa informada pelo DHS, nem o cronograma de entrega por lote.