tech & talk
Ciência05 de set. de 2026, 15:19

Ida e volta a Marte pode ser viável, mas só em até 4 anos

Pesquisas sobre viagens tripuladas ao planeta vermelho mostram que o principal obstáculo não é chegar lá, mas voltar vivo dentro de um prazo seguro de radiação.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

Compartilhar

Pra escala humana

Ir a Marte com tecnologia atual de propulsão química leva de 6 a 10 meses só na ida. Somando o tempo de espera no planeta até o alinhamento orbital favorável para o retorno e mais a viagem de volta, uma missão completa pode durar de 2 a 3 anos — comparável ao tempo de um mestrado, só que trancado dentro de uma espaçonave a milhões de quilômetros de casa.

O que já está confirmado

Foto: reprodução/cnnbrasil.com.br

Fora do campo magnético da Terra, astronautas ficam expostos a níveis muito mais altos de radiação cósmica — um risco já medido e documentado em sondas e na Estação Espacial Internacional. Some-se a isso a perda de massa muscular e óssea causada pela gravidade reduzida e o desgaste psicológico do isolamento prolongado em espaço fechado. Nenhum desses três problemas é hipotético: são efeitos já observados em missões espaciais de longa duração.

O que ainda é hipótese

O que muda de estudo para estudo é o limite de segurança. Uma linha de pesquisa cita quatro anos como teto aceitável de exposição para uma missão completa, desde que a espaçonave tenha blindagem espessa o bastante contra os raios cósmicos — um "desde que" que ainda depende de materiais e engenharia que não existem em escala operacional hoje. Não há, até agora, uma espaçonave real qualificada para transportar humanos com essa blindagem por período tão longo.

O que falta responder

A conta de tempo e radiação fecha no papel. A que não fecha ainda é a de peso: uma blindagem eficaz contra radiação cósmica é pesada, e cada quilo extra exige mais combustível para sair da Terra e pousar em Marte. Até que a engenharia resolva essa equação, o "bate e volta" ao planeta vermelho continua sendo mais uma questão de gramas e anos do que de vontade.

marteespaçoexploração espacialradiaçãoastronáutica
Compartilhar