
iFood vai investir R$ 24 bi até 2027 para blindar liderança de chinesas
Em meio ao avanço de Keeta e 99Food no Brasil, o iFood anuncia aporte recorde de R$ 24 bilhões até março de 2027, alta de 41% sobre o ciclo anterior, com mais de R$ 2 bilhões em inteligência artificial.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
R$ 24 bilhões: o tamanho da resposta do iFood
R$ 24 bilhões. É esse o valor que o iFood promete investir no Brasil entre abril de 2026 e março de 2027, segundo anúncio da companhia. O número representa alta de 41% sobre o ciclo anterior, de R$ 17 bilhões, e chega no momento em que a empresa enfrenta a disputa mais dura de sua história de 15 anos no país.
Para efeito de comparação, o valor equivale a mais de duas vezes o orçamento anual de algumas capitais brasileiras de porte médio — uma dimensão que ajuda a entender por que o mercado tratou o anúncio como uma resposta direta aos concorrentes chineses.
Foto: reprodução/suno.com.br
Quem entra na disputa
Dois nomes explicam a urgência: Keeta, plataforma de delivery controlada pela chinesa Meituan (maior empresa de entrega sob demanda do mundo), e 99Food, ligada à DiDi, gigante chinesa de mobilidade urbana e dona da 99. Ambas avançam sobre restaurantes e consumidores brasileiros com preços agressivos, e as tensões já chegaram ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade): em agosto, o iFood formalizou representação contra a Keeta por suposta prática predatória, alegando subsídio artificial no preço por pedido.
Onde o dinheiro vai
Do total anunciado, mais de R$ 2 bilhões serão destinados a tecnologia e inteligência artificial — incluindo o desenvolvimento de um modelo próprio de recomendação de compras (Large Commerce Model), feito em parceria com a sul-africana Prosus, controladora do iFood. Outra fatia, de R$ 5 bilhões, vai para o iFood Pago, braço financeiro da empresa, enquanto o "iFood Turbo" promete entregas em até 20 minutos e deve chegar a novas categorias, como farmácias, supermercados e pet shops.
Quem ganha e quem perde
No curto prazo, quem ganha é o consumidor: mais opções de entrega rápida e possível guerra de preços entre plataformas. Restaurantes parceiros também podem se beneficiar de mais recursos de gestão e crédito. Já quem sai perdendo, ao menos no discurso do CEO Diego Barreto, são os concorrentes chineses — que a empresa tenta barrar tanto no mercado quanto na Justiça. Resta saber se o aporte bilionário será suficiente para segurar a fatia de mercado do iFood, hoje presente em mais de 2.800 cidades e responsável por cerca de 180 milhões de pedidos mensais no país.