tech & talk
Smart CitiesMercado29 de set. de 2026, 10:59

Igrejas de Indiana cobram fatia dos data centers da Microsoft

Uma coalizão inter-religiosa de Granger, em Indiana, pede que a Microsoft destine 1% do custo de um data center bilionário a um fundo comunitário — e a empresa evita responder quanto vai investir.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

Compartilhar

O pedido que vem do cidadão

Em Granger, cidade pequena do estado americano de Indiana, um grupo de pastores e líderes leigos decidiu perguntar em voz alta o que poucos municípios costumam cobrar: quanto a Microsoft vai devolver à comunidade em troca dos benefícios fiscais bilionários que recebe pra construir um data center ali? A coalizão We Make Indiana, organização inter-religiosa sem fins lucrativos que reúne igrejas da região, pede que a empresa destine entre 1% e 2% do custo do projeto a um fundo comunitário independente — segundo a própria coalizão, 1% renderia entre US$ 30 milhões e US$ 40 milhões.

Quanto custou e quem fiscaliza

A conta por trás do pedido é a seguinte: Indiana aprovou uma isenção de até 50 anos sobre o imposto estadual de vendas para equipamentos de data center, hoje avaliados em US$ 13,2 bilhões no estado — uma renúncia fiscal que deve poupar a Microsoft centenas de milhões de dólares por ano. Em outro estado que também recebeu grandes data centers, a Geórgia, uma auditoria recente mostrou que o governo abriu mão de US$ 474 milhões em impostos sobre vendas em um único ano e recuperou apenas US$ 41 milhões em contrapartidas. É esse tipo de desequilíbrio que o grupo de Indiana quer evitar, com um acordo vinculante e fiscalização independente sobre consumo de água, energia, qualidade do ar e proteção de trabalhadores — não apenas doações pontuais a escolas e parques.

A resposta (ou a falta dela)

Procurada pelos moradores, a Microsoft não aceitou negociar nem abrir uma mesa de decisão sobre os investimentos. Em nota, a empresa disse apenas que ainda está ouvindo a comunidade e que não tomou decisões de investimento. Representantes da companhia, segundo reportagens locais, "tiveram dificuldade para dizer quanto vão investir localmente". Ryan Juskus, líder leigo da Church of the Savior, uma das igrejas da coalizão, resume a queixa: autoridades do condado têm tratado algumas doações pontuais a ONGs como suficientes, enquanto moradores veem cortes no transporte público — financiado por impostos sobre propriedade que caem à medida que data centers ocupam o espaço de outros contribuintes.

O que fica em aberto

Não há prazo definido para uma resposta da Microsoft, e o caso de Granger deve servir de termômetro para outras cidades que negociam a chegada de data centers de IA — inclusive fora dos Estados Unidos, onde prefeituras também começam a cobrar contrapartidas semelhantes.

microsoftdata centerindianacomunidade
Compartilhar