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Mercado27 de out. de 2026, 22:40

Imagem do Disney+ fica pior no Brasil, mas preço segue intacto

O plano Premium do Disney+ perdeu 4K, HDR e Dolby Vision no Brasil e agora entrega a mesma resolução máxima de 1080p dos planos mais baratos — mas continua custando R$ 69,90 por mês. A mudança chegou sem aviso prévio aos assinantes.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O que mudou

O plano Premium do Disney+, serviço de streaming do grupo Disney, deixou de oferecer resolução 4K, HDR10 e Dolby Vision no Brasil. Na prática, a assinatura mais cara da plataforma passou a entregar a mesma qualidade de imagem máxima dos planos mais baratos: 1080p. A alteração não veio acompanhada de qualquer comunicado oficial e foi notada por assinantes a partir da quinta-feira (22). O preço, porém, não mudou: o plano Premium continua custando R$ 69,90 por mês, o mesmo valor cobrado quando a assinatura ainda garantia imagem em ultra-alta definição.

Os outros dois planos do serviço no Brasil seguem com seus valores de sempre — Padrão com anúncios a R$ 29,90 e Padrão sem anúncios a R$ 49,90 — e, agora, com a mesma resolução máxima do Premium. Na prática, o diferencial do plano mais caro passou a se limitar a itens como quatro telas simultâneas, downloads para offline, áudio Dolby Atmos e acesso a conteúdos de canais ao vivo, como transmissões de futebol pela ESPN.

Foto: reprodução/oficinadanet.com.br

O motivo por trás da mudança

A alteração estaria ligada a uma disputa judicial entre a Disney e a InterDigital, empresa americana detentora de patentes de tecnologias de compressão de vídeo usadas em padrões como AVC e HEVC. Em setembro de 2025, a 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro concedeu decisão favorável à InterDigital questionando o uso desses padrões pela Disney sem licenciamento adequado no Brasil. A companhia não confirmou oficialmente que a decisão judicial foi a causa direta do downgrade de imagem e não respondeu aos pedidos de comentário feitos pela imprensa. O caso tem precedente: em julho, a Disney já havia removido 4K e HDR de assinaturas na Europa após decisões judiciais semelhantes envolvendo as mesmas patentes.

Quem perde e quem ganha

No mercado brasileiro de streaming, cada vez mais disputado por concorrentes como Netflix, Amazon Prime Video e Globoplay, qualidade de imagem é um dos poucos diferenciais que ainda justificam planos premium mais caros. Com a perda de 4K e HDR, quem perde é o consumidor: o assinante do plano mais caro passa a pagar o valor integral por uma experiência tecnicamente idêntica à do plano intermediário, mais barato. Já quem ganha, ao menos no curto prazo, é a margem da própria Disney, que mantém a receita de assinatura inalterada mesmo entregando menos recursos técnicos — uma equação que tende a gerar insatisfação e possíveis questionamentos de órgãos de defesa do consumidor, já que o downgrade foi silencioso e sem qualquer compensação ou aviso prévio aos clientes.

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