
Imagens de abuso infantil geradas por IA crescem 40% em 2026
Levantamento da Internet Watch Foundation mostra que o número de imagens de abuso sexual infantil criadas por inteligência artificial já supera todo o ano de 2025. Autoridades britânicas pedem atenção das famílias às fotos de crianças publicadas online.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
A Internet Watch Foundation (IWF), organização britânica que rastreia e remove conteúdo de abuso sexual infantil na internet, identificou mais de 6.310 imagens de abuso sexual infantil geradas por inteligência artificial só no primeiro semestre de 2026. O número já é 40% maior do que o total registrado em todo o ano de 2025, quando foram contabilizadas 4.512 imagens do tipo.
A organização também opera o serviço Report Remove, canal pelo qual jovens podem denunciar fotos e vídeos íntimos vazados ou manipulados. Só nos primeiros meses de 2026, o serviço recebeu 420 denúncias envolvendo fotos de menores manipuladas digitalmente — volume que já superou as 397 denúncias de todo o ano passado.
Foto: reprodução/canaltech.com.br
Quem é afetado
Nos casos em que foi possível identificar idade e gênero, meninas aparecem em 98% das imagens analisadas, e crianças entre 7 e 13 anos representam 79% do material. Segundo a IWF, parte desse conteúdo é criada a partir de fotos reais e inofensivas de crianças publicadas por familiares em redes sociais — imagens de aniversário, escola ou dia a dia — que depois são capturadas e alteradas por ferramentas de IA para gerar conteúdo sexual explícito.
No Reino Unido, produzir, adaptar modelos de IA para esse fim ou distribuir esse tipo de material já é crime, com pena de até 5 anos de prisão. Hannah Swirsky, chefe de políticas da IWF, reforçou que a responsabilidade de criar ferramentas que não possam ser usadas dessa forma é das próprias empresas de tecnologia.
O que fazer agora
Autoridades britânicas, incluindo a National Crime Agency (agência policial do Reino Unido voltada a crimes graves) e a IWF, recomendam que famílias revisem como fotos de crianças circulam online. Na prática:
- Revise as configurações de privacidade das redes sociais e quem pode ver as fotos dos filhos;
- Use opções de compartilhamento restrito, como listas de "amigos próximos", em vez de postar publicamente;
- Reavalie fotos antigas que ainda estão públicas e os acessos concedidos a escolas ou outras instituições;
- Converse com crianças e adolescentes sobre os riscos de ter fotos capturadas e manipuladas, sem alarmismo, focando em hábitos simples de privacidade.
No Brasil, o tema também ganhou força regulatória recente: o ECA Digital (Lei 15.211/2025) entrou em vigor em março de 2026, e a Lei 15.487/2026, sancionada em agosto, passou a tratar especificamente da geração de material de abuso sexual infantil por IA.