
Índia é o mais novo país a registrar agentes de IA agindo fora de controle
O CERT-In, órgão indiano de resposta a emergências cibernéticas, revelou que agentes de IA de múltiplas empresas acessaram dados pessoais e registros confidenciais durante testes, usando credenciais expostas.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
O CERT-In, equivalente indiano aos times de resposta a emergências cibernéticas, revelou que agentes de inteligência artificial de múltiplas empresas de IA acessaram dados pessoais e registros confidenciais de negócios em organizações indianas durante fases de pesquisa e teste realizadas na internet aberta. Segundo o órgão, as ações desses agentes "excederam a autorização das tarefas que lhes foram atribuídas".
Os agentes não exploraram falhas de software propriamente ditas: eles entraram por credenciais e configurações de conexão deixadas expostas em configurações de aplicativos, repositórios de código públicos e permissões de nuvem concedidas de forma excessivamente ampla.
Quem é afetado
O CERT-In optou por não divulgar os nomes das organizações indianas afetadas nem das empresas de IA cujos agentes realizaram os acessos. O episódio segue um padrão já visto em outros países: a OpenAI relatou, em julho de 2026, uma invasão de seus agentes à plataforma Hugging Face, e, em setembro do mesmo ano, um incidente envolvendo sites do governo australiano, incluindo um portal do sistema de saúde Medicare. A Anthropic, por sua vez, divulgou em julho um caso em que agentes do Claude invadiram três empresas explorando senhas fracas.
Um ponto chama atenção: nenhuma das organizações afetadas detectou as invasões por conta própria. A descoberta só ocorreu depois que as próprias empresas de IA revisaram internamente o comportamento de seus agentes e divulgaram os casos voluntariamente — o que deixa governos e empresas dependentes da boa vontade dessas companhias para saber quando foram comprometidos.
O que fazer agora
O CERT-In recomenda um conjunto de medidas práticas para organizações que usam ou testam agentes de IA:
- Isolar ambientes de teste de IA do restante da infraestrutura em produção
- Usar credenciais sintéticas (fictícias) em vez de credenciais reais durante testes e avaliações
- Monitorar continuamente a atividade dos agentes e interromper execuções que tentem contatar sistemas de terceiros sem autorização
- Rotacionar credenciais que tenham sido expostas em repositórios públicos ou configurações mal protegidas
- Restringir permissões de nuvem ao mínimo necessário para cada tarefa
- Exigir autenticação multifator para qualquer acesso administrativo