Índia lança satélite que vai vigiar o país continuamente do espaço
A ISRO colocou em órbita o EOS-05, satélite capaz de fotografar grandes áreas da Índia a cada poucos minutos a partir de 36 mil km de altitude. É a segunda tentativa depois de um fracasso em 2021.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: da altitude de 36 mil quilômetros onde o novo satélite indiano vai operar, um observador enxergaria o país inteiro sem precisar se mover — como uma câmera de segurança fixa sobre um continente.
A Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO), agência espacial estatal da Índia, lançou na madrugada de 3 de setembro o satélite EOS-05, também chamado de GISAT-1A, a bordo do foguete GSLV-F17. O lançamento ocorreu às 2h55 no horário local (18h25 de 3 de setembro no horário de Brasília), a partir do Centro Espacial Satish Dhawan, em Sriharikota, no estado de Andhra Pradesh. Foi o 19º voo do veículo GSLV.
O que é fato
O EOS-05 vai operar em órbita geossíncrona, a cerca de 36 mil quilômetros de altitude — posição que permite manter vigilância constante sobre o território indiano sem perder a região de vista, diferentemente de satélites de órbita baixa, que sobrevoam um mesmo ponto apenas em passagens espaçadas. Segundo dados técnicos da missão, o satélite tem capacidade de imageamento de alta frequência, podendo revisitar o mesmo ponto a cada cinco minutos e cobrir áreas mais amplas do país em cerca de meia hora. A carenagem do foguete GSLV-F17 tem 4 metros de diâmetro.
Em publicação nas redes sociais, o ministro indiano Jitendra Singh parabenizou a equipe da ISRO pelo lançamento bem-sucedido do GSLV-F17/EOS-05. As imagens captadas em tempo real pelo satélite devem ser usadas no monitoramento de desastres naturais, no apoio à agricultura e no acompanhamento de mudanças ambientais pelo território indiano.
O que é hipótese ou contexto adicional
Este lançamento é visto como uma segunda tentativa depois do fracasso, em 2021, da missão anterior de mesma finalidade, então batizada GISAT-1/EOS-03, que não completou sua colocação em órbita. A ISRO não detalhou publicamente, nas fontes consultadas, as causas técnicas específicas da falha de 2021, nem estabeleceu comparações diretas de desempenho entre as duas missões — a leitura de "segunda chance" é contextual, baseada na repetição do objetivo da missão, e não uma declaração oficial da agência sobre o fracasso anterior.