
Índia nega discriminar Starlink em disputa pública com Musk
Governo indiano chamou de 'infundada' a acusação de Elon Musk de que oligarcas bloqueiam a entrada da Starlink no país; serviço segue sem liberação de espectro.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Cinco anos de espera
A Starlink, serviço de internet via satélite da SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, completa cinco anos tentando entrar no mercado indiano — e nesta quarta-feira (7) o impasse virou briga pública. Musk acusou "oligarcas" não identificados de bloquear o avanço da companhia para proteger um "monopólio" no setor de telecomunicações, chamando a demora de "crime contra o povo indiano" em publicações na rede X.
A resposta do governo
O Ministério das Comunicações da Índia rebateu as acusações no mesmo dia, classificando-as de "infundadas e equivocadas". Segundo o órgão, o processo regulatório é "justo e não discriminatório", e a Starlink está "praticamente no mesmo estágio regulatório" que as outras duas operadoras de satélite licenciadas no país — entre elas a joint venture que reúne a Reliance Jio, maior operadora de telecomunicações da Índia, e a Bharti Airtel, segunda maior do setor local.
O que falta pra Starlink operar
Apesar de já ter garantido as principais licenças regulatórias e firmado parcerias com a própria Jio e a Airtel em 2025, a Starlink segue sem a liberação do espectro de radiofrequência necessário para operar comercialmente. Essa liberação depende da conclusão de avaliações de segurança obrigatórias — exigidas das três operadoras de satélite do país, não só da empresa de Musk. A Starlink já instalou mais de 20 estações terrestres (gateways) e centenas de antenas em território indiano e tem demonstrações técnicas de segurança marcadas para 30 e 31 de outubro, em Mumbai, perante autoridades locais — etapa considerada essencial para destravar o processo.
Quem ganha com a demora
Enquanto o imbróglio não se resolve, operadoras locais como Jio e Airtel seguem dominando o mercado de banda larga do país, o que alimenta a tese de Musk de que o atraso favorece incumbentes. O governo indiano nega qualquer favorecimento e argumenta que o cronograma é padrão para qualquer entrante no setor de satélites. Um vice-presidente da Starlink afirmou que a empresa "está pronta para servir a Índia" assim que as autorizações saírem. Resta saber se as demonstrações de outubro serão suficientes para destravar o espectro — ou se a disputa pública com Musk vai azedar ainda mais a relação com o governo indiano.
Atualização (08/10, 15:54): A disputa ganhou um novo capítulo nesta semana: Elon Musk publicou na rede X a pergunta "Is Ambani the real boss of India?" ("Ambani é o verdadeiro chefe da Índia?"), mirando diretamente Mukesh Ambani, dono da Reliance Industries e homem mais rico da Índia.
A provocação veio um dia depois de Musk acusar "certos oligarcas" não identificados de bloquear a entrada da Starlink no país para proteger um "monopólio", classificando o atraso como "crime contra o povo indiano". Segundo Musk, a Starlink já opera em mais de 165 países e cumpriu, ao longo de cinco anos, todas as exigências regulatórias impostas pelo governo indiano.