
inDrive já fatura com anúncios: 2 bi de impressões e 2 mil marcas pagantes
A rival da Uber transformou um piloto de publicidade iniciado em julho de 2025 em negócio relevante, com mais de 2.000 anunciantes pagando por mês. A corrida por diversificação já reduziu o peso das viagens de 95% para 85% da receita.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
2 bilhões de impressões em pouco mais de um ano
2 bilhões de impressões e mais de 2.000 anunciantes pagantes por mês: esse é o resultado que a inDrive, aplicativo de caronas fundado na Sibéria e hoje sediado em Mountain View, na Califórnia, colhe menos de 15 meses depois de testar um piloto de publicidade dentro do próprio app. O programa começou em julho de 2025, ganhou escala em janeiro de 2026 nos 20 principais mercados da empresa e hoje já roda em 25 países — sinal de que a aposta em anúncios deixou de ser experimento e virou linha de receita.
Da corrida ao anúncio: onde está o dinheiro
O produto batizado de Ride Media explora um inventário que poucas empresas de mobilidade souberam monetizar: a atenção do passageiro durante a espera pelo carro e ao longo do trajeto, momentos de alto engajamento segundo a companhia. Cerca de dois terços dos anunciantes que compraram espaço na plataforma voltaram a comprar de novo — um indicador de retenção que costuma pesar mais para investidores do que o volume bruto de impressões.
A publicidade já opera em mercados como México, Colômbia, Paquistão, Cazaquistão, Egito e Marrocos, e caminha para incorporar segmentação em tempo real, hoje ainda baseada em locais visitados pelo usuário em períodos anteriores. À frente da nova unidade, batizada inDrive.Ads, está Max Silin, ex-executivo do Google com mais de 11 anos de casa.
Quem ganha com a diversificação
O número que resume a mudança de estratégia: as viagens, que respondiam por cerca de 95% da receita da inDrive, hoje contribuem com perto de 85%, à medida que publicidade, entrega e serviços financeiros ganham espaço. Segundo Andries Smit, Chief Growth Business Officer da empresa, a aposta mira mercados emergentes onde a concorrência por atenção do consumidor ainda é menos disputada do que nos Estados Unidos ou na Europa: "Nosso segmento é muito diferente, e conseguimos ajudar marcas a se conectar com uma nova audiência", afirmou.
O que vem a seguir
A empresa também nomeou Raphael Zennou, ex-Delivery Hero, para tocar a frente de comida e mercado, enquanto Valentin Laykov assume a operação de entregas e Alexander Kurchin segue à frente da unidade financeira, a inDrive.money. Segundo a companhia, publicidade e serviços financeiros exigem pouco capital para crescer — ao contrário de mercado e comida, que devem concentrar a maior parte dos investimentos futuros. A conta é simples: menos dependência de um único negócio, mais fôlego para competir com a Uber em terrenos onde a gigante americana ainda não é dominante.