
inDrive testará robotáxis da Pony.ai no Cazaquistão em 2027
inDrive, Pony.ai e Nvidia assinaram memorando para testar robotáxis em Astana a partir do primeiro semestre de 2027, usando o inverno rigoroso da capital cazaque como banco de provas.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Astana, 2027: o novo laboratório dos robotáxis
A partir do primeiro semestre de 2027, a capital do Cazaquistão, Astana, vai virar palco de testes de robotáxis fruto de uma parceria entre três empresas: inDrive, Pony.ai e Nvidia. As três assinaram um memorando de entendimento para explorar a chegada dos carros autônomos da Pony.ai à plataforma da inDrive, movimento que reforça o avanço da tecnologia autônoma para além dos mercados tradicionais — Estados Unidos e China.
A inDrive, aplicativo de transporte por app que nasceu no Cazaquistão e permite que passageiros e motoristas negociem a tarifa da corrida, hoje opera em mais de 1.200 cidades em 47 países, com braços que vão de entrega a serviços financeiros. Já a Pony.ai é uma empresa chinesa de direção autônoma que planeja ultrapassar 3.500 robotáxis em mais de 20 cidades até o fim de 2026, incluindo operações recentes na Croácia e em Dubai.
Por que Astana, e por que inverno
Segundo Arsen Tomsky, CEO e fundador da inDrive, a escolha da capital cazaque não é acidental: a cidade tem cerca de 1,7 milhão de habitantes e meses de neve e gelo, o que torna o local um teste de estresse natural para os sistemas de condução autônoma. Os testes começarão com um operador de segurança a bordo, com o objetivo final de rodar sem motorista.
A Pony.ai entra com os robotáxis da linha Gen-7. Já a Nvidia fornece a camada de inteligência artificial — a plataforma Hyperion, o sistema de segurança Halos, o modelo Alpamayo e ferramentas para gerar dados sintéticos de treinamento. Ali Kani, vice-presidente de automotivo da Nvidia, diz que o Hyperion reduz custos ao entregar uma base pronta de sensores e computação para quem quer desenvolver robotáxis.
Quem ganha com o modelo capital-light
Para Yuri Misnik, CTO da inDrive, a lógica do negócio é clara: "nossa abordagem é capital-light por desenho", ou seja, a empresa não pretende comprar ou operar a frota autônoma diretamente, e sim abrir sua plataforma para parceiros tecnológicos em cada mercado. É a mesma fórmula que a Uber vem testando ao se associar a diferentes fabricantes de robotáxi ao redor do mundo, em vez de desenvolver carros próprios.
Se o plano avançar, a inDrive sai na frente ao levar robotáxi chinês para a Ásia Central antes de rivais ocidentais, e a Pony.ai ganha mais uma vitrine internacional para validar sua tecnologia em condições climáticas extremas. Para a Nvidia, é outro contrato que reforça sua posição como fornecedora de infraestrutura de IA para o setor automotivo autônomo.