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MercadoIA27 de ago. de 2026, 19:22

Indústria de IA chama plano de Trump de taxar chips de "burrice" total

Um lobista anônimo e ex-integrante do governo Trump classificou a ideia de tarifar semicondutores como "a forma mais burra imaginável" de buscar domínio americano em IA. O setor teme que o plano trave a expansão de data centers no país.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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A frase que resume o impasse

"Esta pode ser a forma mais burra imaginável de buscar o domínio americano em IA." A definição é de um lobista de tecnologia anônimo e ex-integrante do governo Trump, em declaração à Politico, e resume o mal-estar do Vale do Silício com a mais nova cartada da Casa Branca: uma rodada de tarifas sobre semicondutores que pode se estender a laptops, consoles de videogame e servidores de data center.

O que está sobre a mesa

O governo Trump estuda ampliar as tarifas sobre chips para uma faixa mais larga de produtos eletrônicos, atingindo diretamente a cadeia de suprimentos que sustenta a construção acelerada de data centers de IA nos Estados Unidos. Segundo reportagens do CNBC e da Benzinga, isenções concedidas em janeiro para data centers e pesquisa e desenvolvimento podem ser eliminadas — justamente quando gigantes como Amazon, Microsoft e Meta correm para erguer capacidade computacional antes da concorrência chinesa.

O secretário de Comércio, Howard Lutnick, defende um modelo de contrapartida: empresas estrangeiras ganhariam cotas de importação isentas de tarifa proporcionais ao tamanho do investimento que fizerem em fábricas de chips nos EUA. Na prática, quem trouxer produção para o país paga menos; quem não trouxer, paga mais.

Por que a indústria reage mal

O problema, segundo associações como a Computer and Communications Industry Association, é o descompasso de tempo. Construir uma fábrica de semicondutores de ponta leva anos — às vezes décadas —, enquanto a demanda por chips para treinar e rodar modelos de IA é imediata. Mesmo os investimentos bilionários da TSMC no Arizona, quando totalmente operacionais, devem representar apenas cerca de 30% da capacidade global de processos avançados, segundo estimativas citadas pela imprensa americana. A indústria americana de fabricação, hoje, simplesmente não tem escala para substituir o fluxo de importações caso ele seja restringido.

Quem sente primeiro no bolso

O mercado já precificou o risco: ações de fabricantes de memória como Micron (-3%), Western Digital (-3,57%) e SanDisk (-2,48%) recuaram após as notícias sobre a nova rodada de tarifas. A Nvidia, que havia disparado quase 9% com resultados trimestrais fortes, também sentiu a incerteza tarifária esfriar o ânimo dos investidores. Do outro lado da equação, setores que dependem pesadamente de chips — bancos, montadoras e saúde — também entram na linha de fogo indireta de qualquer aumento de custo na cadeia de semicondutores.

A proposta ainda está em fase de discussão, sem alíquotas, cotas ou cronograma definidos. Mas o recado da indústria já chegou: tarifar o insumo que os EUA mais precisam importar para vencer a corrida de IA é, na visão de quem lida com isso todo dia, atirar no próprio pé.

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