
Indústria de ônibus urbanos dos EUA gerou US$ 1,1 bi em impostos
Relatório da Oxford Economics mostra que o setor de ônibus de transporte público sustentou 34,1 mil empregos e US$ 5,1 bilhões ao PIB americano em 2025 — mas só 4% da frota já é elétrica.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Da perspectiva de quem usa o ônibus todo dia
Quem depende do ônibus pra trabalhar dificilmente para pra pensar no tamanho da cadeia econômica por trás daquele veículo. Mas um relatório encomendado por empresas associadas à American Public Transportation Association (APTA, entidade que representa o setor de transporte público nos Estados Unidos) tentou justamente medir isso: quanto a indústria de ônibus de trânsito movimenta na economia americana, e quem paga a conta — ou melhor, quem recebe o retorno em impostos.
O que os números mostram
Foto: reprodução/prefeitura.sp.gov.br
O estudo "Buses Mean Business", produzido pela consultoria Oxford Economics, apontou que a indústria de ônibus de transporte público gerou US$ 1,1 bilhão em receita tributária federal, estadual e local em 2025 — sendo US$ 749 milhões só para os cofres federais. O setor contribuiu com US$ 5,1 bilhões ao PIB americano e sustentou 34,1 mil empregos: 4,7 mil diretos na fabricação, 15,9 mil indiretos na cadeia de fornecedores e 13,5 mil induzidos pelo consumo desses trabalhadores na economia. "O impacto econômico da indústria vai muito além das empresas que montam os ônibus", diz o relatório, segundo a Oxford Economics, consultoria britânica especializada em análise econômica. A frota americana soma cerca de 65 mil ônibus pesados, usados em mais de 3,8 bilhões de viagens de passageiros por ano — cerca de 10 milhões de embarques por dia.
O gargalo da renovação e da eletrificação
Os dados também expõem um problema de frota envelhecida: 54% dos ônibus em operação nos EUA já ultrapassaram, ou vão ultrapassar nos próximos cinco anos, o limite de 12 anos de vida útil definido pela agência federal de trânsito americana (FTA). A produção anual de ônibus caiu de mais de 6,3 mil unidades em 2019 para cerca de 4,7 mil em 2025. Do lado da eletrificação, ônibus a bateria já representam cerca de 20% das entregas recentes, mas apenas 4% da frota total ainda em circulação — a transição está em curso, mas é lenta.
O contraste com o Brasil
Aqui, o retrato da eletrificação é mais concentrado geograficamente. São Paulo sozinha soma mais de 1.700 ônibus elétricos e trólebus em operação — depois de incorporar 500 novos veículos à frota só em 2026 —, superando o total estimado do restante do país somado. Do lado industrial, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) estimava a capacidade de produção nacional de ônibus elétricos em cerca de 9,9 mil unidades por ano no fim de 2023, com potencial de expansão para 25 mil unidades anuais até 2028 — número que, se confirmado, rivalizaria em escala com a produção total (elétrica e a diesel somadas) da indústria americana hoje. A proporção de elétricos na frota brasileira, fora de São Paulo, ainda é baixa — ordem de grandeza parecida com o modesto 4% da frota americana —, o que sugere que o gargalo de renovação de frota é um desafio compartilhado entre os dois países, ainda que por razões orçamentárias distintas.