
Inmo recolhe óculos inteligentes Air3 após 10 relatos de queimadura
A haste esquerda do Inmo Air3 pode superaquecer durante uso prolongado e já causou queimaduras no rosto e na orelha de usuários nos EUA. A CPSC pede que os cerca de 1.643 óculos vendidos sejam atualizados via software gratuito.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
O que aconteceu
A Inmo, fabricante chinesa de óculos de realidade aumentada que ganhou tração global após uma campanha de sucesso no Kickstarter, decretou recall voluntário do modelo Air3. Segundo a Comissão de Segurança de Produtos de Consumo dos Estados Unidos (CPSC), a haste esquerda do aparelho pode superaquecer durante uso prolongado, criando "risco de lesão grave ou morte por queimadura".
Até agora são 10 relatos de usuários que sentiram sensação de queimação no rosto e na lateral esquerda da orelha — exatamente onde fica o componente eletrônico da haste. Não é pouca coisa para um gadget que fica em contato direto com a pele por horas.
Quem é afetado e por quanto
O recall cobre cerca de 1.643 unidades vendidas nos Estados Unidos (mais 120 no Canadá), comercializadas entre dezembro de 2025 e agosto de 2026 pela Amazon, pelo site oficial Inmoxr.com e pela campanha de financiamento coletivo no Kickstarter. O preço variou de US$ 900 a US$ 1.300 — faixa que coloca o Air3 mais perto de um AR headset premium do que de um simples óculos com câmera, tipo Ray-Ban Meta.
Vale lembrar que o Air3 chegou ao mercado como uma proposta ambiciosa: tela waveguide colorida 1080p com painel Sony Micro OLED, processador Snapdragon de oito núcleos e um anel inteligente como controle — spec sheet de dar inveja em boa parte da concorrência de óculos com IA. É exatamente esse tipo de hardware mais denso, com bateria e processamento embutidos na própria haste, que tende a esbarrar em problemas térmicos quando a engenharia de dissipação não acompanha a ambição do produto.
O que a Inmo está fazendo
A solução oferecida, por ora, é uma atualização de software gratuita (versão V3.16) que a empresa promete aplicar remotamente. A CPSC orienta que quem tiver o Air3 pare de usá-lo imediatamente e entre em contato com a Inmo para o reparo — pelo telefone 888-212-9620, e-mail [email protected] ou pela página oficial de recall da marca.
Curiosamente, tratar um risco de queimadura só com patch de firmware levanta a dúvida óbvia: se o problema é térmico e de hardware, um ajuste de software resolve de fato ou só reduz a frequência do problema?
Vale o risco por aqui?
O Air3 nunca teve venda oficial no Brasil — quem tem um, comprou via importação ou apoiou o Kickstarter. Ainda assim, o caso é um alerta para quem cogita óculos inteligentes de nicho, vindos de crowdfunding, sem o histórico de testes térmicos que fabricantes maiores já acumularam. Antes de colocar qualquer eletrônico perto do rosto por horas seguidas, vale perguntar: essa empresa tem estrutura para responder rápido quando o produto esquenta demais?
Atualização (25/09, 01:03): A CPSC, agência reguladora de segurança de produtos dos Estados Unidos, e as autoridades canadenses formalizaram um recall oficial dos óculos INMO Air3 em 24 de setembro, coordenado com a fabricante. O total recolhido é de 1.643 unidades nos Estados Unidos e cerca de 120 no Canadá, vendidas entre dezembro de 2025 e agosto de 2026 pela Amazon, pelo site da própria INMO e por campanha no Kickstarter, com preços entre US$ 900 e US$ 1.300.
Como solução, a INMO está oferecendo reparo gratuito por meio de uma atualização de firmware (versão V3.16), aplicada remotamente. A empresa orienta quem tem o produto a parar de usá-lo imediatamente e entrar em contato pelo telefone gratuito 888-212-9620 (dias úteis, das 9h às 17h, horário do leste dos EUA) ou pelo e-mail [email protected] para receber instruções.