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Mercado14 de set. de 2026, 21:43

Insight Partners tem US$ 90 bi e aposta na diversificação contra a febre de IA

Enquanto o mercado de venture capital concentra cheques em OpenAI e Anthropic, a gestora Insight Partners diz que a estratégia de pulverizar apostas é o que sustenta retorno de longo prazo — mesmo perdendo negócios como o da legaltech Legora para a rival General Catalyst.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 90 bilhões apostando contra a manada

US$ 90 bilhões sob gestão. É esse o tamanho da Insight Partners, gestora de venture capital que há duas décadas e meia é cogerida por Deven Parekh — e que hoje nada contra a correnteza de um mercado de IA cada vez mais concentrado em duas apostas: OpenAI e Anthropic. Em entrevista ao TechCrunch, Parekh defendeu que diversificar o portfólio, e não empilhar fichas nos dois nomes mais badalados do setor, é a estratégia que segue rendendo resultado à firma.

"Não estamos excessivamente concentrados, então isso não é um problema para nós", disse o executivo. "Esse negócio sempre recompensou a diversificação ao longo de um horizonte longo." A tese ganha peso num momento em que boa parte do mercado de capital de risco despeja recursos quase exclusivamente nas duas líderes de IA generativa — reduzindo a diversidade de apostas do setor como um todo.

Quem ganha: a conta não fecha só com IPO bilionário

A gestora, que está no Fundo 13 e devolveu mais de US$ 20 bilhões a seus investidores (LPs) nos últimos dois anos via vendas estratégicas e IPOs, aposta em nomes que não são OpenAI nem Anthropic. Casos como Databricks e Wiz — onde a Insight entrou ainda na Série A e colheu ganhos desproporcionais nas rodadas seguintes — sustentam o argumento. Outro exemplo é a Wonderful, startup de IA para empresas com menos de dois anos de vida que já atingiu avaliação de US$ 5 bilhões após duas rodadas. Já a Armis, empresa de cibersegurança do portfólio, foi vendida à ServiceNow por US$ 7 bilhões em 2026 — mesmo após a Insight ter perdido o negócio inicial para a Sequoia e precisado comprar depois o cap table inteiro por "nove dígitos".

Quem perde: a Legora ficou com a rival

Nem toda aposta dá certo. Parekh admitiu ter perdido a disputa pela Legora — startup sueca de inteligência artificial para o setor jurídico — para a General Catalyst, gestora de venture capital americana que também investe pesado em IA. Segundo o executivo, seu sócio Jeff Horing chegou a voar até Estocolmo, onde fica a fundadora da empresa, para tentar fechar o cheque. Não foi suficiente: a General Catalyst levou a rodada. "Não sei a razão específica, mas acho que venderam melhor a proposta de valor deles", reconheceu Parekh, minimizando o revés: "é um mundo grande, não precisamos vencer todo negócio".

A Legora, vale o contexto, não é uma aposta qualquer: a legaltech captou US$ 80 milhões em rodada Série B liderada pela General Catalyst em maio de 2025 e, menos de um ano depois, fechou Série D de US$ 550 milhões que a avaliou em US$ 5,55 bilhões — um salto que ilustra a velocidade com que o capital de risco tem inflado valuations de IA aplicada a nichos verticais, mesmo fora do duopólio OpenAI-Anthropic.

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