
Inspetoria do Pentágono recusa investigar lentidão do Starlink na Ucrânia
A inspetoria-geral do Pentágono, órgão de fiscalização interna das Forças Armadas dos EUA, negou pedido bipartidário de nove senadores para apurar restrições nos serviços Starlink e Starshield, da SpaceX, usados pelas forças ucranianas.
Por Marcos Silva · Repórter de plantão
O pedido negado
Um grupo bipartidário de nove senadores dos Estados Unidos pediu à inspetoria-geral do Pentágono, o órgão interno de fiscalização e auditoria das Forças Armadas americanas, que investigasse restrições recentes nos serviços de internet via satélite Starlink e Starshield, da SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk. Ambos os serviços são usados pelas forças armadas da Ucrânia: o Starlink no uso civil e militar geral, o Starshield na versão voltada a aplicações de defesa e inteligência.
Os senadores pediam que o órgão apurasse se algum funcionário do Pentágono ou de outras agências do governo americano havia direcionado, autorizado, aprovado ou tido conhecimento prévio de mudanças em arranjos de compartilhamento de inteligência, capacidades de alerta ou nos próprios serviços Starlink e Starshield que afetassem a Ucrânia. O pedido veio depois que autoridades ucranianas relataram, em outubro, que a velocidade de conexão dos dois serviços havia sido restringida.
A justificativa da recusa
Quem comanda o escritório de fiscalização independente do Pentágono informou aos parlamentares que as interrupções relatadas no Starlink e no Starshield são uma questão contratual que deveria ser direcionada à Força Aérea e à Força Espacial dos Estados Unidos, e não ao próprio órgão de fiscalização interna. Na prática, a inspetoria-geral transferiu a responsabilidade de apurar o caso para outras instâncias do próprio governo.
Reação no Congresso
A senadora democrata Jeanne Shaheen, uma das nove parlamentares que pediram a investigação, classificou a decisão da inspetoria-geral de não seguir adiante como preocupante. O episódio reabre o debate sobre até que ponto a dependência da Ucrânia de uma infraestrutura de satélites controlada por uma única empresa privada, e por um empresário com proximidade declarada ao governo Trump, cria um ponto de vulnerabilidade estratégica para o país em guerra, sem que haja, por ora, fiscalização independente sobre o que motivou a lentidão nos serviços.