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Mercado31 de ago. de 2026, 20:57

Instagram é o maior palanque online dos candidatos nas Eleições 2026

Levantamento do G1 com base nas declarações ao TSE mostra que 74% dos candidatos têm perfil no Instagram, muito à frente de Facebook e TikTok — e a Meta consolida domínio sobre o debate eleitoral digital.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que manda no jogo: 74%

São 15 mil candidaturas com perfil ativo no Instagram, o equivalente a 74% do total de concorrentes nas Eleições 2026. O dado é de um levantamento do G1 sobre as declarações de candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e confirma o óbvio para quem acompanha o mercado publicitário brasileiro: o Instagram virou o palanque padrão da política nacional. Em 2022, essa fatia era de 46%. O salto de quase 30 pontos percentuais em quatro anos diz mais sobre a consolidação da plataforma como ferramenta de campanha do que qualquer pesquisa de intenção de voto.

Quem fica com o troco

Foto: reprodução/cnnbrasil.com.br

O Facebook aparece em segundo lugar, com pouco mais de 10 mil candidatos declarados — 49% do total. É uma posição respeitável, mas que reforça uma migração já conhecida do mercado: o Facebook deixou de ser a rede de conversão de campanha para virar canal secundário, mantido mais por inércia institucional do que por estratégia. O TikTok, terceiro colocado, soma cerca de 5 mil candidaturas (24%), crescimento relevante mas ainda distante de ameaçar a hegemonia do Instagram no curto prazo. Cerca de 13% das candidaturas não declararam nenhuma rede social ou site eleitoral — o que, segundo a legislação, pode configurar propaganda irregular e resultar em multa de R$ 5 mil a R$ 30 mil.

Meta lucra duas vezes

Com Instagram e Facebook ocupando as duas primeiras posições, a Meta controla o principal fluxo de investimento publicitário-eleitoral do país neste ciclo. Não é um detalhe: cada candidato que impulsiona conteúdo, contrata gestão de tráfego ou paga por alcance orgânico turbinado está, direta ou indiretamente, alimentando o mesmo ecossistema. Enquanto isso, X (antigo Twitter) sequer aparece entre os números relevantes do levantamento — sinal de que a plataforma perdeu relevância como vitrine de campanha no Brasil. O TSE também registrou curiosidades no meio do caminho: candidatos declararam perfis em Truth Social, Twitch, Spotify, na plataforma acadêmica Lattes e até no aplicativo de relacionamento Tinder, mostrando o quanto a definição de "presença digital" se pulverizou nas declarações oficiais — mesmo sem tirar o Instagram do topo do ranking.

Por que isso importa para o mercado

Para agências, influenciadores e profissionais de marketing político, o recado é direto: o orçamento de campanha segue o comportamento do eleitor, e o eleitor está no Instagram. A concentração de 74% das candidaturas em uma única plataforma reduz a fragmentação de audiência, mas também eleva o custo de destaque num feed cada vez mais disputado — um efeito colateral previsível de qualquer mercado que caminha para o oligopólio de atenção.

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