
Instagram testa vídeos de até 90 minutos no Brasil contra o YouTube
O Instagram começou a testar o "Features", formato de vídeos horizontais de até 90 minutos, e escolheu o Brasil como primeiro mercado antes mesmo dos Estados Unidos. Adam Mosseri diz querer uma "simbiose" entre vídeos curtos e longos.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Noventa minutos é o novo limite do Instagram
Noventa minutos. É esse o teto que o Instagram está testando para o "Features", formato de vídeos horizontais e extensos que a empresa começou a liberar para um grupo restrito de criadores. Para quem cresceu vendo o Instagram se transformar na terra dos Reels de 15 segundos, o movimento é quase irônico: depois de anos empurrando vídeo curto e vertical, a rede agora experimenta o extremo oposto, com episódios de podcast e conteúdo de formato longo cabendo inteiros dentro do app.
A simbiose que Mosseri diz querer
Foto: reprodução/techcrunch.com
O chefe do Instagram, Adam Mosseri, foi convencido pela vice-presidente de produto, Tessa Lyons, depois de anos resistindo à ideia de vídeo longo na plataforma. A aposta agora é fazer o formato curto e o longo funcionarem em "simbiose": o criador publica o vídeo completo e depois corta pedaços dele em Reels verticais que apontam de volta para a versão integral — lógica parecida com a que o YouTube já usa ao ligar Shorts a vídeos longos.
Por que o Brasil entrou na frente dos EUA
O destaque da apuração é a ordem dos testes: o Brasil entrou no experimento antes dos Estados Unidos, servindo de laboratório para o Instagram calibrar o formato com criadores locais antes de expandir para o mercado americano, onde o teste também já começou, mas de forma limitada. Nenhuma das fontes detalha o critério exato da escolha do país, mas o recorte deixa claro o peso do público brasileiro nos planos de vídeo da Meta.
Quem ganha e quem perde nessa disputa
O adversário declarado é o YouTube, que hoje paga aos criadores por meio do Partner Program — mais de US$ 100 bilhões distribuídos em quatro anos, com 55% da receita publicitária repassada a quem produz. É essa vantagem que o Instagram tenta neutralizar: reter criadores de podcast, comédia e conteúdo longo que hoje só monetizam de forma consistente fora do Instagram. Por ora, a Meta só diz estar "explorando formas de o criador ganhar com marcas, fãs e com o próprio Instagram", sem cronograma de pagamento por visualização equivalente ao do YouTube.
O que ainda falta saber
Ganham, no curto prazo, os criadores que já têm acordos individuais com a Meta e entram cedo no teste — e ganha o próprio Instagram, que tenta travar usuários dentro do ecossistema. Quem ainda não sabe se vai ganhar é o criador comum: sem modelo de monetização definido e sem data de liberação ampla no Brasil, o "laboratório" segue sendo, por enquanto, isso mesmo — um experimento.