
Intel cai para 69,3% do mercado x86, pior fatia desde 1995
Levantamento da Mercury Research mostra a Intel com 69,3% do mercado global de processadores x86, queda de 6,5 pontos percentuais em um ano, enquanto a AMD atinge recorde histórico de 30,7%.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Intel abaixo de 70% pela primeira vez em três décadas
A fatia da Intel no mercado global de processadores x86 caiu para 69,3%, considerando envios para PCs e servidores — o pior nível da companhia desde 1995. O recuo é de 6,5 pontos percentuais na comparação anual, segundo levantamento da consultoria Mercury Research, uma das principais referências do setor de semicondutores.
A marca simbólica dos 70% não era rompida pela Intel havia mais de três décadas, e o dado reforça uma trajetória de perda de terreno que já dura vários trimestres. Buscas complementares confirmam o recorte: excluindo apenas o núcleo tradicional de PCs e servidores e somando outras categorias de produto, a posição da Intel encolhe ainda mais, para 65,9% — puxada pela força da AMD em SoCs de consoles de videogame, segmento no qual a Intel não compete.
Foto: reprodução/techpowerup.com
AMD bate recorde e avança em todas as frentes
Do outro lado da balança, a AMD chegou a 30,7% de participação no mercado x86 total, o maior patamar histórico da companhia. O avanço não é pontual: a fabricante rival cresceu em praticamente todas as categorias monitoradas pela Mercury Research.
No segmento mobile (notebooks), a AMD atingiu 28,9%, ganho de 8,4 pontos percentuais em 12 meses. No desktop, a fatia chegou a 34,9%. Já em data centers, a participação bruta da AMD foi de 34,5% — e, quando o cálculo considera a receita ajustada, o placar fica ainda mais apertado: 46,4% para a AMD contra 53,6% da Intel em servidores, o segmento mais lucrativo do mercado de chips.
Quem ganha, quem perde
O resultado consolida a AMD como a grande beneficiária do momento, capitalizando em cima de dificuldades de execução e de oferta da Intel, que segue tentando reorganizar sua estratégia de fabricação e de produtos após anos de atrasos em processos de manufatura mais avançados. A perda de espaço no segmento de servidores é especialmente sensível para a Intel, já que data centers concentram as margens mais altas do negócio de processadores.
O cenário também aparece como pano de fundo mais amplo da disputa entre arquiteturas: enquanto Intel e AMD brigam pela liderança do x86, chips baseados em ARM têm ganhado espaço em notebooks e servidores, ampliando a pressão sobre as duas fabricantes tradicionais. Para a Intel, o desafio agora é estancar a sangria antes que a marca de 1995 deixe de ser apenas uma referência histórica e passe a ser superada para baixo em trimestres futuros.