
Intel e AMD, rivais históricas, têm CEOs conversando sobre parceria
Lip-Bu Tan, CEO da Intel, revelou ter conversado diretamente com Lisa Su, CEO da AMD, sobre possíveis áreas de colaboração entre as duas maiores rivais do setor de chips.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
CEOs rivais sentaram para conversar
Os chefes das duas maiores fabricantes de processadores x86 do mundo conversaram diretamente sobre uma possível parceria. Lip-Bu Tan, CEO da Intel, confirmou ter mantido conversas pessoais com Lisa Su, CEO da AMD, para explorar "possíveis áreas de colaboração" entre as duas companhias. A revelação aconteceu durante participação em evento da CASPA, associação que reúne executivos e profissionais de semicondutores com raízes chinesas e americanas. Tan não detalhou o conteúdo da conversa com Su, mas o simples fato de admitir publicamente o contato já é significativo num mercado acostumado a disputas judiciais e campanhas de marketing agressivas entre as duas marcas.
Da inimizade ao cafezinho entre rivais
Foto: reprodução/tomshardware.com
Intel e AMD carregam quase meio século de rivalidade. As empresas nasceram de ex-funcionários da Fairchild Semiconductor e, ironicamente, começaram como parceiras: em 1981, a Intel precisou de um fornecedor "segunda fonte" para fechar contrato com a IBM e assinou acordo de troca de tecnologia com a AMD. A parceria virou disputa judicial quando a Intel decidiu não renovar o acordo após lançar o 80386, em 1985 — caso que só se resolveu em 1994, garantindo à AMD o direito de usar o microcódigo x86 que desenvolveu. De lá para cá, as duas travaram batalhas de desempenho e preço, com marcos como o K5 (1996), o primeiro processador 1 GHz da AMD (2000) e a vitória comercial da arquitetura 64 bits da AMD (x86-64) sobre a tentativa concorrente da Intel.
Quem ganha e quem perde numa eventual aproximação
Para a Intel, uma colaboração mais próxima da AMD encaixa na virada de postura que Tan vem promovendo desde que assumiu o comando: segundo ele, a empresa "no passado se mostrava orgulhosa demais para adaptar seus produtos às necessidades de clientes", e agora busca soluções sob encomenda, embalagem avançada e fortalecimento do negócio de fabricação por encomenda (foundry). Nesse cenário, a Intel sai ganhando ao atrair mais clientes para suas fábricas. Já a AMD, que vem crescendo em participação de mercado nos últimos anos, precisa pesar os riscos de ajudar a fortalecer uma concorrente historicamente mais poderosa.
Quem potencialmente perde são os rivais fora do eixo x86: uma frente unida de Intel e AMD dificulta o avanço de arquiteturas ARM da Qualcomm e das soluções de IA e GPU da Nvidia. Tan também citou avanços técnicos da Intel, como a produção em massa já em curso no processo de 1,8 nanômetro (18A) e os próximos passos rumo ao processo 14A — sinalizando que, parceria ou não, a companhia aposta na recuperação técnica para voltar a competir de igual para igual.